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quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Música e você




Sempre acreditei que as pessoas são um pouco do que gostam
Assim como se diz: “você é o que você que come”
Penso da mesma forma para a música
O ritmo e a melodia, às vezes até a letra, mas fundamentalmente a melodia
Tem músicas que mesmo sem a letra já nos transportam um sentimento
Tristes, alegres, fortes, ritmadas, nas batidas, nas vozes e estamos tomados pela música
Inexplicável
Mexe com a gente, sem tem uma história passada então, faz nos recordar
Mas, ela ali sozinha sem ligação com nada, nem letra já é parte da gente
Às vezes o entoar, o cantarolar nos atinge e por um momento estamos em outro mundo
Somos aquilo que ouvimos
Às vezes vibrantes
Às vezes pensando
Às vezes macambúzios
Às vezes agitados
Mas sempre cheios de sentimento
A música nos transforma
Se estivermos tristes somos capazes de mudar o astral em minutos
As nossas preferidas indicam o que somos diante de cada situação de cada...
Se forte, pode mostrar o quanto temos de força dentro de nós
Se calminha, o quanto somos pensativos
Enfim a intensidade de cada música leva consigo a nossa intensidade.

Obra: Manfred Menz

sábado, 7 de novembro de 2009

Rio





Cingi-se o largo rio sob um céu de lua
Sob a planta a galera que...
Navego
Navego
Nos lados, folhas escuras assombram
A claridão está no reflexo que me acompanha
Angústia pelo que fica para trás
E o que está por vir?
Triste é a vida
Num lampejo e tudo se vai
Mas, continuo a navegar
Em meu mundinho
Só percebendo às margens
Rio
Rio
E choro

Quadro: obra de Charles Baker (Sunset by the Lake)

Descoisas





Desconstruir
Preparar a argamassa
Cimentar a idéia
Juntar-se
Definir-se na sua casa
Da porta às janelas
Dos olhos ao coração
A boca em conjugação
Conjugados de quarto e sala
Não ficou bom
Pegar a marreta-borracha e pôr tudo abaixo

Quadro: obra de Otis Kaye (Learn)

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Madrugada na cidade


Narragansett Bay from Jamestown (pair) - Charles Wilson Knapp - 1870
As gaivotas voavam em fila, com rasantes sobre o espelho d’água. Repentinamente, mudaram de curso. A formação agora estava em forma de “V”. Buscavam uma térmica para lhe diminuir o esforço e flutuar entre o mar e o céu. Passavam neste momento em frente à barca. Vistosas, com o peito alvo estufado para frente, pareciam estar orgulhosas pelo belo espetáculo que davam. Revoadas, acertos, mudanças, planadas, desvios, refluxos.

Os ventos lhes davam um ar de força. Vigorosas e leves. Vinham com as asas fortes, abertas, resistindo ao empuxo dos calafates. Depois, deslizavam pela brisa sem esforço como se aproveitando do momento.

Escorregavam pelo céu, felizes, soltavam pipiares de êxtase. Navegavam junto com as embarcações gostando do rastro dos peixes frescos. Avistavam mais longe, viam seu destino em deleite. Jovens aves, crianças,... queriam se divertir.

Alimentavam-se dos peixes e da agradável paisagem da baía. De um lado o Rio, o Pão-de-Açúcar e o Cristo Redentor, do outro a Fortaleza de Santa Cruz e as paradisíacas praias de Niterói.

Morros, mares, florestas, riachos, rochas se incluíam no lindo amanhecer da cidade.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Comunique-se - Vale a pena ler de novo


Pencil 1 - Hong Kyong Tack
Hoje, 28 de junho foi publicado, o texto: “No mar da tranqüilidade” no site Comunique-se, seção Literário.

Para acessar diretamente o texto* clique aqui

Ou então, veja-o aqui

* necessita de cadastro no site

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Comunique-se


Space & Space/Sketchbook and Pencil - Susumu Endo
No dia 21 de junho foi publicado, o texto: “Dois elevadores” no site Comunique-se, seção Literário.

Para acessar diretamente o texto* clique aqui

Ou então, veja-o no blog Nas Linhas

* necessita de cadastro no site

Devaneios


In My Dreams - Orlando
Conheci-te numa beira de estrada
rodopiando seu vestido azul.

Seus olhos igualmente azuis me mostravam
o mar que nunca tinha visto.

As águas bravias buscavam
brechas entre as rochas.

Ao fundo se ouvia o trovão e o relâmpago
iluminando a noite celeste.

Queria-te naquele momento
para encher meu coração de ternuras.

Perdido em meio ao nada
de sentimentos e imagens belas.

que só você as poderia trazer
para mim de maneira serena.

As montanhas eram sombras
e as árvores fantasmas.

povoavam meus medos mais
secretos de infância.

A areia se via ao longe dando
um contorno suave à paisagem.

Suas longas madeixas louras,
lisas e brilhantes me ofuscavam.

nos meus mais loucos desejos
de tocá-las e carregá-las.

contra o meu rosto já marcado
pelo duro modo do ser selvagem.

Suas formas desenhavam silhuetas
na parede e no chão.

As curvas se delineavam de forma
abrupta na cintura e quadril.

Todas elas criavam em minha
mente mensagens subliminares.

Das que não se esquecem nem em
todas as vidas que nos vêm.

domingo, 17 de junho de 2007

Simplicidade


Surf - Frank Harmon Myers
Ir ao museu e ficar abraçado admirando as obras de arte.
Surpreender sua amada com um buquê de rosas.
Andar despreocupado por um parque e comer um cachorro quente saboroso.
Elaborar planos de viagem.
Se enroscar deitados e nus.
Ouvir uma música de marcha calma ao som de violinos.
Ler uma poesia.
Parar por uns segundos e trocar olhares de carinho.
Admirar o movimento das ondas no entardecer.
Ir ao cinema e namorar.
Tomar uma água de coco à beira-mar em meio a conversas românticas.
Escrever uma mensagem que transmita emoções.
Caminhar pela orla e compartilhar a presença de uma criança alegre.
Ter uma tarde de intensos amores.
Almoçar juntinhos e dar-lhe um morango na boca.
Dar as mãos e puxar seu amor para um abraço repentino.
Tirar fotos de súbito de sorrisos espontâneos.
Fazer uma massagem.
Imaginar um café-da-manhã numa ilha.

É tão fácil ser feliz, para quê complicar?

sábado, 16 de junho de 2007

O mp3 e as pessoas


Rise Up Solitude - Jim Dine
Hoje, duas em cada cinco pessoas vão às ruas portando uma nova indumentária, o aparelinho de mp3. Uma nova tendência seguindo a já solidificada, a do isolamento cada vez maior dos seres humanos.

Estamos cada vez mais centrados em nós mesmos e mais ainda no dinheiro. Nossas razões de viver não estão mais na prosa descontraída. O contato com outros deixou de ser prioridade. Vivemos numa redoma construída por nós mesmos.

Não por acaso, os fones de ouvido antes se chamavam de “egoísta”.

Quanta saudade do homem que rodeava a Lagoa Rodrigo de Freitas caminhando e dando estúpidos bons-dias a quem quer que passasse.

No começo você estranhava, mas depois, até se antecipava no bom-dia e sentia satisfação nisso.

Era a troca. Troca de carinhos mesmo que com um estranho.

Não é por acaso que existe gente que conversa até com pássaros ou com qualquer outro animal. Com os humanos tá difícil.

terça-feira, 12 de junho de 2007

Sem título


Eden: Passion - Lucien Lévy-Dhurmer
Sempre quero te ver. Não me importa o que pensa de mim. Se acha que sou um bobo ou um objeto sexual. O que me interessa é estar contigo. Na chuva, por dois minutos somente, escalando uma montanha ou enfrentando dificuldades. O que realmente é importante é o que sinto por ti.

Se estiveres doente estarei ao seu lado. Se triste te trarei alegria. Caso precise de um professor lá estarei, de um amigo ou de um amante permanecerei por quanto tempo for preciso e sempre com a maior satisfação.

Troco três meses de cama por um minuto contigo. Por mais que eu possa parecer até piegas, o serei porque te adoro e tenho esse lado romântico incorrigível.

Sempre sonho com você. Penso no como é bom estar ao seu lado. E lembro de cada momento que passo na sua companhia. Instantes, segundos, minutos, horas, pouco interessa, pois a energia que será emanada me abastecerá por décadas.

É assim que sou, ou parte de como me traduzo.

Um amante apaixonado.

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Marx: frases e idéias


Karl Marx (from the Cuban Icon Series) - Lázaro Saavedra
“O homem feliz é aquele que faz os outros felizes” aos 17 anos;
“Obstáculos e dificuldades impõem ao homem um destino nem sempre desejado” aos 17 anos;

“A liberdade número um para a imprensa consiste em não ser ela uma indústria.”;
“A teoria também se transforma em uma força material quando se apodera das massas.”;

“As religiões, em geral, são um protesto contra a vida insatisfatória que é dada aos homens.”;

“O desenvolvimento do trabalho criador aparece, assim, aos olhos de Marx, como uma condição necessária para que o homem seja cada vez mais livre, mais humano, mais dono de si próprio.” – Leandro Konder;

“A classe que exerce o poder material é, ao mesmo tempo, o seu poder espiritual dominante.”;

“Em sua ascensão, o proletariado prepara a instauração de uma nova sociedade, na qual a propriedade privada e a divisão social do trabalho tendem a se extinguir.” – Marx por Leandro Konder;

“O comunismo não retira a ninguém o poder de apropriar-se de sua parte da produção social; suprime apenas o poder de, por meio dessa apropriação, explorar o trabalho alheio.”.

Fonte: Marx: Vida & Obra (KONDER, Leandro)
Veja também: Resenha do Livro: Marx: Vida & Obra

terça-feira, 29 de maio de 2007

Carta aberta ao meu amor – primeira versão


Lovers - Fiorella Furzi
Saiba meu amor que sempre a terei com uma boa lembrança por mais que tenhamos terminado de forma brusca e estúpida. Que guardarei nossos momentos mais lindos em minha memória. Que meu coração sempre palpitará diante de sua presença e que minhas pernas sentiram a emoção de forma incontrolável e trêmula.

Lembre que sempre fiz de tudo para te trazer uma imensa alegria e que meu maior presente foi olhar para você e vislumbrar seu sorriso. Que ao olhar para seus olhos transmiti a mais imensa ternura que senti por você. Sempre a tratei como um bibelô e mulher, como a pessoa mais importante do mundo. Que meus pensamentos deslizavam por todo o dia – com pequenas interrupções – ao seu encontro. Perpetuamente és razão do meu viver, pois em tu estava a maior parte das minhas alegrias, a de fazer alguém feliz.

Que também, mesmo diante dos piores momentos de nossa relação - infelizmente impossíveis de esquecer - suas gargalhadas e seus prazeres demonstrados em estar comigo estarão sempre no meu íntimo muito maiores do que qualquer coisa. Saiba que se existe um amor verdadeiro e que ele possa ser traduzido eu o demonstrei todo a você. Este sentimento foi dado em cada instante de carinho, de desejo e das mais infinitas carícias. É claro, não sou perfeito e tive meus momentos de ser humano e de desequilíbrio, mas peço que os releve, pois o que estava dentro de mim sempre foi o meu amor por você. E que a maior dessas demonstrações foram em estar contigo e não com outras mulheres em busca de prazer ou de sexo fácil. E nisso pensei sempre como mulher, o meu desejo esteve sempre ligado ao carinho e ternura que senti por ti.

Lógico que um pouco de perversão passou pela minha cabeça e como ser imperfeito olhei para muitas mulheres com maldade sexual, animal e de macho. Mas, que também nada me moveu mais forte do que estar junto a ti. Óbvio é que desejei mulheres, mas nunca com a intensidade dedicada a você. Minha doação a você foi total,
às vezes pronunciada como uma caixa de bombom, um presente ou flores fora de hora ou simplesmente com palavras queridas e frágeis vindas na minha boca. Palavras vindas juntas com atos de extrema entrega, sensíveis e eternas.

Perceba que cada momento em que me viu sorrindo todo o meu corpo o acompanhou. E com a irradiação destes momentos, sou capaz de jurar que poderia se iluminar até a mais longínqua galáxia tal a energia expressa nesses instantes.

Lembre-se que sempre a amarei em meus mais recônditos sentimentos e por mais que tenhas de alguma forma me magoado terei somente aquilo de bom que tive contigo. Tudo impresso em meu ser.

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Jornalistas têm problemas com números?


Numbers - Robert Indiana
Deparado com uma notícia estarrecedora: “A cada hora três espécies de plantas ou animais desaparecem para sempre do planeta. Por dia, 150 espécies são extintas”. O senso crítico disparou o alarme.

Seria muito chato? Voltou atrás. Releu. Não fazia sentido. Quantas horas existem num dia? 50? Conta rápida, 24 vezes três, resultado: 72.

Ontem: “Faltam 42 centímetros para o Jadel bater o recorde mundial (RM) do salto triplo”. Peraí, o triplista saltou 17,90m, o RM é de 18,29m. Lambuja?

“Outra praga nas redações da imprensa especializada é a maldição do milhão por bilhão. É o seguinte: por incrível que pareça, há um impulso suicida entre os profissionais da área de simplesmente acrescentar três zeros, ou então subtrair três zeros, seja qual for a história” (BASILE*, p.114).

* BASILE, Sidnei. Elementos do Jornalismo Econômico. 2002.

terça-feira, 22 de maio de 2007

Os políticos corruptos e nós


The Line Up - Patrick Tuttofuoco
Somos tão diferentes daqueles que sempre recriminamos ao lermos o jornal? Ou será só questão de oportunidade?
Você paga aquela cervejinha para o guarda não te multar? Você fura a fila só porque conhece alguém de influência? Procura dar um jeitinho naquilo que tem que ser feito, mas que você simplesmente não deseja fazer? Cola nas provas da escola? Copia o trabalho do amigo dando só uma ajustadinha? Compra produtos piratas? Faz ligação clandestina de TV a cabo ou de energia elétrica?

Alguma assertiva?

Sim? Então aquele recriminado do Planalto é teu melhor representante.

Não? Um bem-vindo aos cidadãos de bem.

Ódio

SS wardresses transfer bodies of their victims to a mass grave after the British liberation of Belsen, April 1945.

Corpses in Belsen, April 1945.

Olhemos atentamente para as figuras acima. Como nós podemos ser capazes? Como seres humanos podem pensar assim? O que será que nos passa na cabeça quando fazemos algo tão vil? O que temos dentro da gente? Animais! Somos animais inanimados!
Não precisamos ter sido nazistas. A todo o momento podemos ter esse sentimento dentro da gente. O que podemos fazer com ele? Por que ele aparece? Por que nos atormenta?

Estamos todos contaminados. Inexplicável em certos momentos. Outras vezes reação ao outro. Quão odioso é o ódio. Nada acrescenta.

Em algum momento se instala. De onde vem a primeira centelha a desencadear? Execrável sentimento. Nada constrói. Destruiu e continua destruindo. Olhe de novo para as figuras. Esqueça ele. Guarde o horror que é tê-lo contigo.

Como podemos ser capazes?

Eu chorei e você?

Saiba mais: Campos de Concentração

Pense mais. Odeie menos.

Créditos das fotos: Primeira: SS wardresses transfer bodies of their victims to a mass grave after the British liberation of Belsen, April 1945.

Segunda: Corpses in Belsen, April 1945.

Todas tiradas do site: SHOAH - IN THE DEATH CAMPS

Exercício


Mountain Landscape with Waterfall - C. Philipp Weber Olhe atentamente para uma cachoeira. Se entregue a ela. Deixe que os sentimentos dela o penetrem, entrem no seu ser. É tão difícil estar com a natureza. Nela estão as “coisas” que não sabemos explicar, apenas sentimos. Na entrega, sentimo-la forte. Está em nós. E nem sabemos o que é. Viemos de lá, para ela voltaremos e das cinzas influenciaremos novas gerações.

Reflexos do Corte de Cabelo


Reflections on Hair - Roy Lichtenstein
Corto o cabelo na certeza de que a essência permanece.
Atravesso a rua e ela continua lá. Minha consciência me dizendo o que é certo e o que é errado.
Na cachola, as idéias, os pensamentos, as paixões e os sonhos.
Tudo misturado.
Como irei me entender com tantas coisas juntas?
Por isso é que nunca sabemos quem somos.
Devia ser uma coisa de cada vez, mas vêm tudo ao mesmo tempo!

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Fenômeno Seje


Trial & error  - Gustav Kluge
Já faz algum tempo que se nota a presença incomoda do “verbete” “seje” em nosso cotidiano. Não que a língua portuguesa seja fácil, mas é quase deliberado o uso do “vocábulo”. Vez por outra ele é percebido em entrevistas, em novelas e pasmem, até mesmo vindo da boca de quem não devia – universitários, bacharéis, autoridades e políticos, só para citar alguns.

Tudo bem que é um verbo irregular e por isso tem um quê a mais de dificuldade, mas será que lá no coleginho da tia Tetéia não foi pelo menos uma vez conjugado? Ou lembrado mais recentemente?

O que impressiona é a quase forçada pronúncia do “seje”. Acredito que na maioria das vezes até o próprio interlocutor sinta certa estranheza ao proferi-lo. Mas, mesmo assim a utilização é reiterada. Exagero? Pesquisa rápida: Google: “seje”: 3,8 milhões de ocorrências. Ah, dentre elas temos as que corrigem o erro crasso. Novo exame: seje -seja -erro: 1,36 milhões! Se reparar bem, vai até notar alguns anúncios usando o “termo”! Nova busca: “seje” no Orkut, resultado, mais de 1000, entre elas 204 comunidades - claro que algumas são justamente – ainda bem - para criticar o uso errôneo da “palavra”.

Nem o YouTube escapa. Alguns vídeos achados: “Se for amor que seje verdadeiro” – vai ver o amor não é tão verdadeiro assim; “Viva e seje feliz” – será feliz e ignorante por toda a vida; “Seje vc um Rocky” – esse nunca será um Rocky; e até um assassinato de um verso de Vinicius de Moraes: “E que seje eterno enquanto dure” – com certeza alguma coisa vai durar pouco.

Uma explicação plausível para tanta incidência do equívoco é que no presente do subjuntivo o “e” final seja usado com bastante freqüência – desculpe-me pelo eco. Mas, essa desinência só ocorre – em regra – nos verbos da primeira conjugação, final “ar”. Ou seja, somente para verbos como estar, falar etc. Já os da segunda e terceira formam – não sei se há exceções – em “a” assim como o nosso seja.

O fato é que de tanto ouvir alguns menos letrados ou desatentos acabam se viciando no “seje” e o dão como certo. Um verdadeiro fenômeno. Fica uma dúvida será que existe erro verbal mais comum que esse?

Todos cometemos inúmeros erros, mas que esse “seje” único.

terça-feira, 15 de maio de 2007

Obrigado


Adoration of the Name of God - Francisco de Goya
Obrigado pelos dias felizes que tive. Pelas risadas demoradas. O cheiro do campo, o sorriso das pessoas e a alegria em estar com os amigos. O papo descontraído, as brincadeiras de criança e o olhar de carinho da mãe e da namorada. As noites de suor, amor e prazer com minhas amantes. A entrega sem medo àquela pessoa que ama. As buscas e as realizações. As peladas de futebol e os piques animados de moleque. Os livros e filmes que li e me emocionei. As lutas pela justiça e defesa dos mais desprotegidos. Os beijos e abraços dos companheiros de estudo. A lembrança das meninas que gostei. As corridas e mergulhos na praia. As paisagens de um mundo de campos, mares, cachoeiras, flores, lua e sol. As noites estreladas que tinham o aroma da amada. Os cochichos e afagos das paixões. O entardecer, o anoitecer e o amanhecer. As ondas que batiam forte nas pedras e esguichavam água para todo lado. Das doenças recusadas, dos percalços que não precisei passar, das dificuldades superadas, da fome nunca percebida e das tristezas que não senti.

Imagens que jamais sairão da minha mente.

Agora, aqui debaixo da minha lápide, vejo o mundo e as coisas como deveriam ter sido vistas. De que valeram as discussões banais e as brigas sem sentido?

A raiva, os ressentimentos e alguns posicionamentos mesquinhos também não têm razão de ser. Nesse instante sinto que a busca pelo amor é a única coisa que faz sentido.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Receita para achar o Brasil uma maravilha


The Love Embrace of the Universe, the Earth (Mexico), Diego, Me and Senor Xolotl - Frida Kahlo
Roteiro resumido:
- viajar para a França e ver somente as fotos das badernas provenientes das desavenças entre franceses e imigrantes;
- ir à África paupérrima e presenciar, guerras civis e o estado de calamidade da saúde;
- saber mais sobre as falcatruas existentes na Itália, Rússia e China;
- ainda na Ásia, se informar sobre salários e condições de trabalho, principalmente no interior, lembrar também do “clima” de censura que existe naquele país;
- conversar demoradamente com estudantes universitários americanos sobre geografia, política internacional e sobre a “segurança” dentro das instituições de ensino;
- visitar as áreas menos desenvolvidas no Paraguai e na Bolívia;
- carregar consigo sempre imagens das praias brasileiras, principalmente as cariocas e as nordestinas, além das do Pão-de-Açúcar, Cristo Redentor e Pantanal.

Em se plantando tudo dá. Realmente temos tudo aqui no Brasil.