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segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Amor infinito

Qual a menina passeia
Navego sem ficar mareado
Do barco me granjeia
Alegre, me sinto amado

Ela vem por aí, vagueia
Mesmo no trabalho duro
O amor sempre semeia
Aqui e agora, no futuro

E até de noite exaurido
Remexo de lado e doutro
Sou sempre seu marido

Na cama me sinto outro
Aclimatado em pernas
De felicidades eternas

domingo, 7 de outubro de 2007

Scraps

Fez-se o amor num instante
Longarinas rascantes
no mar revolto
Tomo, e absolto

Foi-se chegando, tomando
espaço, se firmando
Repentinamente lá estava
Coração em punho ocultava

Sons Meireles, oitava
Violinos se escutava
Alma se abria
Momento se repartia

Vestido e fantasia
Amor, dedicação
Tudo nela queria
Veio meu furacão
----
Uma poesia se aclama
Vêm de todos a quem ama
Busca no ser um sentimento
Forte e terno momento

Se acomoda no peito
Na intrépida Fortaleza
É largo amor, sem estreito
Na mais interior beleza
----
Oh! Bálsamo encantado dos suores seus
Embala meus sonhos, me alivia
Nos corações a entrevia
Dos amores de Julietas e Romeus
----
Encontro-te
Abraço-te, te elevo
as perninhas balançam no ar
O beijo vem forte e profundo
de saudades
Os lábios se expandem
A felicidade toma conta
Está nos rostos
Igual ao do “porta-retrato”
Os olhos brilham de Amor
Os corações apertadinhos da manhã
Mudam o compasso
Tocam ao som dos violinos
Depois vêm os tambores e
as guitarras estridentes
Para ao final voltar ao piano
Da ternura.
----
Te quero muito mulher
Com todas as forças te quero
Compartilhar todos os momentos, te quero

Apertar-te, te quero
Abraçar-te, te quero
Beijar-te, te quero

Olhar-te, te quero

É muito bom ser amado por você.
E retribuir com o que há de melhor em mim,
meu amor.
----
Entre suas pernas me entrego
No céu áureos coruscantes
Vejo estrela Vega mesmo cego
Sinto suas mãos e boca devorantes
----
A busca do poeta

Em frente à mesa
O poeta em busca
Da rima, ele arranja
Não mais o ofusca

A palavra vem, sai
Some, é fugidia
Mas, não se esvai
Ela já está ali

Olha para ela
A sente, percebe
Nota sua aura
“Voa” pirabebe!
----
Sonhos na Noite à Meia Luz

Se olvidas ó meu amor
Do reluzente esplendor
No que mais acreditas
Senão no meu amor?

Fundas o terço no peito
Paras no parapeito
Na janela acendes
Aqui me estendes

Na cama paro, olha
Pernas nuas e toalha
Dobra do joelho
Aqui em vermelho

Vem gata, me arranha
Lábios e me abocanha
Puxa uma cigarrilha
Pecado e panturilha
----
Quando o Sol raiar
O seu brilho será mais intenso
E as raparigas se ofuscarão
As barcaças passearão
No Rio Tejo

O Minho estará aceso
Numa explosão de alegrias
As gurias te olharão
Como uma rainha
Que és e sempre serás
No meu coração
----
Agora

Quero te inundar de beijos
Sentir teu corpo
Abraçá-lo e sentir te junto a mim
Num abraço apertado perder a noção de tempo
Puxar os sentimentos mais fugidios para dentro do meu ser
Captar as boas vibrações vindas dos céus
Transmitir a ternura dos deuses
Passar o que há de melhor no mundo para você
Poder no amor te dar a alegria mais completa
Fazer-te a mais feliz das criaturas
Tudo e agora!
E sempre!
----

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Sonhos na noite, à meia luz

Se olvidas ó meu amor
Do reluzente esplendor
No que mais acreditas
Senão no meu amor?

Fundas o terço no peito
Paras no parapeito
Na janela acendes
Aqui me estendes

Na cama paro, olha
Pernas nuas e toalha
Dobra do joelho
Aqui em vermelho

Vem gata, me arranha
Lábios e me abocanha
Puxa uma cigarrilha
Pecado e panturilha

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Meu Néctar

Quero dar felicidade
Amar teu ser
Na minha idade
Que bom ter...

Sonhar teu sonho
Amar teu amor
Coração eu ponho
Com todo ardor

Momentos de agora
De intensa paixão
Lembranças de outrora
Do teu coração

Na busca incessante
De tanto querer
À esperança radiante
De a vida trazer

Viver é amar
Aprender a doar
O amor encontrar
Milagre no ar

Eu não vou sofrer
Por te querer
Entrego meu ser
É viver ou morrer

Ela

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Fê - VI

Que fazes tão longe de mim?
Espero-te num pulsar sem fim
As nuvens se juntam aqui e ali
E eu continuo a pensar em ti

Se pensas que não é verdade
Juro por tudo está em volta
Mesmo, sem nenhuma vaidade
Do coração você não se solta

Vem para cá, fica perto
Estou de peito aberto
Das flechadas já tomei

De seu amor sempre hei
Ficar ao lado abraçado
Mais feliz e soçobrado

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Fê - VI (cinco minutos)

Mais bela que as mais belas
Bela de espírito, bela de corpo
Sublime na cama e nas pernas
Não canso nem tropo

Ficamos felizes juntos
Brilhos nos verdes olhares
Nas salas e no mundo
e para sempre nos mares

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Fê - V

Se há pássaros lá fora a voar
Em meu peito, borbulha sangue
Sangue que faz pulsar
um coração que tange

No limiar do clarão do dia
Acordo nela a pensar
Como bom seria
estar com ela a beijar

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Rimas de ocasião

Acertou em cheio com essa poesia de Álvares de Azevedo*!
Já não tenho mais medo!
Realmente estou amando e muito.
Sei que na vida é esse o intuito.
Se sou poeta não sei.
Sei que tentei.
Mas, o gosto por poesia e pelas pessoas está em mim.
Em especial por uma, com bochechas em vivo carmim.


* A poesia de Álvares de Azevedo em questão:

"...Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida.
À sombra de uma cruz, e escrevam nela:
- Foi poeta - sonhou - e amou na vida."

domingo, 17 de junho de 2007

O Cisne


A Brig under Sail in fair Weather (En Brig under selj i godt vejr) - Christoffer Wilhelm Eckersberg - 1844-1845
Singraste no oceano da vida
Qual marinheiro a conduzir tua nau.
Escolheste entre marés ondulantes
Na incerteza da tua juventude
A sugestão d'um sopro de brisa a cantarolar.
Mas, vendo-te na caminhada escolhida
Que tantos heróis escreveram na história,
Antevejo-te a surgir em ondas espumantes
Esguio, porte altivo, como um cisne
Em berço esplêndido, a se destacar.

Na carreira que hoje abraças com calor
Marcando, vez em quando, uma renúncia,
Mas, quantos "louros" colherás, certamente...
Tens o brilho e o valor
Que os grandes homens distingue
E que a Marinha polirá ainda mais.
Marcando n'alma, profundamente,
As lembranças felizes que guardarás, vida afora...
E a honra, que não olvidarás, jamais!

Lêda Rau

sábado, 16 de junho de 2007

Criação


Pygmalion et Galatée - Auguste Rodin
Há no amor um momento de grandeza,
que é de inconsciência e de êxtase bendito:
os dois corpos são toda a Natureza,
as duas almas são todo o Infinito.

É um mistério de força e de surpresa!
Estala o coração da terra aflito;
rasga-se em luz fecunda a esfera acesa,
e de todos os astros rompe um grito.

Deus transmite o seu hálito aos amantes:
cada beijo é a sanção dos Sete Dias,
e a Gênese fulgura em cada abraço;

Porque, entre as duas bocas soluçantes,
rola todo o Universo, em harmonias
e em florificações, enchendo o espaço!

Olavo Bilac

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Dilacerações


Schüttbild, 27 - Hermann Nitsch
Ó carnes que eu amei sangrentamente,
Ó volúpias letais e dolorosas,
Essências de heliotropos e de rosas
De essência morna, tropical, dolente...

Carnes virgens e tépidas do Oriente
Do Sonho e das Estrelas fabulosas,
Carnes acerbas e maravilhosas,
Tentadoras do sol intensamente...

Passai, dilaceradas pelos zeros,
Através dos profundos pesadelos
Que me apunhalam de mortais horrores...

Passai, passai, desfeitas em tormentos,
Em lágrimas, em prantos, em lamentos,
Em ais, em luto, em convulsões, em cores...

Cruz e Sousa

domingo, 3 de junho de 2007

Quando Eu


Sunset by the Lake - Charles Baker - 1849
Quando eu não te tinha
Amava a Natureza como um monge calmo a Cristo.
Agora amo a Natureza
Como um monge calmo à Virgem Maria,
Religiosamente, a meu modo, como dantes,
Mas de outra maneira mais comovida e próxima ...
Vejo melhor os rios quando vou contigo
Pelos campos até à beira dos rios;
Sentado a teu lado reparando nas nuvens
Reparo nelas melhor -
Tu não me tiraste a Natureza ...
Tu mudaste a Natureza ...
Trouxeste-me a Natureza para o pé de mim,
Por tu existires vejo-a melhor, mas a mesma,
Por tu me amares, amo-a do mesmo modo, mas mais,
Por tu me escolheres para te ter e te amar,
Os meus olhos fitaram-na mais demoradamente
Sobre todas as cousas.
Não me arrependo do que fui outrora
Porque ainda o sou.

Fernando Pessoa (heterônimo: Alberto Caeiro)

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Vento


U.S.S. Kearsarge off Boulogne-Fishing Boat Coming in before the Wind, 1864, Edouard Manet
Vento, que toca as asas do meu verso,
Leva em viagem minha poesia,
Para aduzir à sua letra fria
A emoção em que me faço imerso...

Se ela tiver tristeza ou alegria,
Não lhe dês significado diverso;
Mostra contudo a todo o universo
Quão diferente seja cada dia...

Pois sempre acharás em meus sonetos,
Da minha alma, o real conteúdo,
Seja saudade, amor ou amargura...

Transmite, então, a realidade pura,
Sem o retoque vão e inseguro,
Das duas quadras e mais dois tercetos.

Mario Roberto Guimarães