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quarta-feira, 29 de abril de 2009

Políticos x Ratos




Muito se compara político com rato. Parece uma injustiça. Aos ratos! Os roedores vivem pelas ruas catando comida hora aqui hora ali. Estão sempre em lugares onde não há luxo só lixo. São perseguidos por toda sorte e por bichos, inclusive os homens sejam bons ou maus. Permanecem por anos em masmorras e prisões, sem ao menos merecerem. Os políticos são outros bichos.

Políticos são vermes, desprezíveis. Apoderam-se do dinheiro alheio como larvas que se infiltram nos corpos. De malemolência como suas constituições, helmintos. Com suas conversas moles enganam o povo e tomam conta do poder, da carne.

Políticos são parasitas, pouco trabalham e muito se aproveitam de seu hospedeiro, digo hospedeira, a viúva, causando danos às vezes irreparáveis. Vivem às nossas custas, são preguiçosos, faltam até com o dever mínimo de comparecer às sessões ordinárias. Ordinários. Obtém seu alimento ao fim do mês e ainda tentam sugar mais e mais nos seus interstícios.

São eles bactérias, vindos desde que o mundo é mundo, criaturas vagantes e pré-históricas. Por qualquer lugar ou tempo que se fale de algo terrível sempre se lembrará de uma, ops, dum. Profissão mais antiga que não se compare. Engravatados de vida livre e viagens (com as benditas passagens). Ser unicelular que vive com um único objetivo se dar bem, tirar vantagens.

Talvez sejam como vírus, contaminam. Mesmo os colarinhos brancos que um dia foram bem intencionados, não tardam a se bandear para a vigarice. Pequenos, em caráter, infeccionam a todos com seu pus. Destroem, corrompem e até criam cópias – filhos, netos – de si mesmos. Contagiosos se multiplicam e tomam conta do sistema.

Vermes, parasitas, bactérias, vírus, políticos. Porque todos aqueles ainda são melhores.

Site O Repórter

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

O Rádio e a Comunicação

Havia sete pessoas naquela casa. Era uma família moderna. Certo dia uma visita ligou o rádio e sintonizou numa estação que só tocava música clássica. Ninguém no lugar gostava desse tipo de sonoridade. Aquele lar se tornou mais calmo, sereno e inteligente. Todos tinham vergonha de desligar ou mudar para outra música. Os sete ignoravam totalmente quem teria ligado e colocado aquele som, mas nenhum se pronunciava. Era um veículo de comunicação a toda e uma casa sem o mínimo de troca.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Comunique-se


Space & Space/Sketchbook and Pencil - Susumu Endo
No dia 21 de junho foi publicado, o texto: “Dois elevadores” no site Comunique-se, seção Literário.

Para acessar diretamente o texto* clique aqui

Ou então, veja-o no blog Nas Linhas

* necessita de cadastro no site

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Nova York, Cidade dos “Todos”


Nocturno sobre Broadway 2-6 - José Manuel Ballester
Todos os doidos estão lá, todas as modas dão seu ar da graça naquele lugar, todas as raças, credos, nacionalidades aparecem por ali. Onde mais se encontram pessoas que saem correndo dos prédios já pela manhã? E donde vem aquela praticidade que lhes é familiar? Você, por acaso, em algum momento se deparou com as embalagens deles? São demais, tudo abre como um simples ziper. Sabe aquela guloseima que de tão mal embalada demora-se horas para abrir e quando abre caí tudo no chão e você morre de raiva? Pois é, isto é impensável nesta cidade. Todas as embalagens são simples.

Aliás, outra particularidade é que toda e qualquer cena inusitada se vê por lá. E o mais curioso é que todos fazem aquele olhar blasé, como se nada estivesse acontecendo. Pode-se encontrar numa esquina o Stomp dando um show, no meio da rua, em plena Times Square e tem-se a impressão que é a coisa mais normal do mundo. E que tal entrar numa boate e somente ser capaz, passados alguns minutos, perceber que está num salão de beleza?! E se do nada você se depara com uma loura linda totalmente nua protestando contra a venda de peles de animal em pleno e rigoroso inverno nova-iorquino? O que pensar de um local assim?

Lá, até mesmo o conhecido mau-humor dos sitiantes possibilita cenas incomuns, imagine um daqueles postes – a impressão que se tem é que todos os policiais têm mais de dois metros – fazendo poses ao direcionar o trânsito. E uns gays que saem com suas calças totalmente transparentes usando calcinhas vermelhas por baixo? Impossível não chamar a atenção não é? No entanto, depois de um tempo, você acostuma, pois estas cenas são mais comuns do que se idéie.

Lembra daquele maluco corredor? Pois é, a vontade que tive no primeiro dia, logo ao chegar, foi parar o sujeito que saía correndo pela portaria e perguntar: “Hei, aonde se vai com tanta pressa?” ou ainda “Você também corre dentro elevador ou veio mesmo pela escada?”.

Outra, tem uma pizzaria fast-food na Rua 34 em que o atendente nunca espera você pensar no seu pedido. Titubeou por um segundo, ele dispara: “next”, ou seja, bobeou, volta para o fim da fila. Na hora dá vontade de soltar um palavrão, mas a cena é tão cômica que você se vê lá parado com cara de babaca e desanda a rir. O que fazer diante de um sujeito que nem pisca e berra “next” umas duas mil vezes por dia?
Esta é Nova York, uma cidade levada a sério por todos, mas hilária com todos,... Todos estes nova-iorquinos, todos loucos.


Publicado em 4 de setembro de 2006 no site Comunique-se

Link direto (nem sempre funciona)

terça-feira, 22 de maio de 2007

Os políticos corruptos e nós


The Line Up - Patrick Tuttofuoco
Somos tão diferentes daqueles que sempre recriminamos ao lermos o jornal? Ou será só questão de oportunidade?
Você paga aquela cervejinha para o guarda não te multar? Você fura a fila só porque conhece alguém de influência? Procura dar um jeitinho naquilo que tem que ser feito, mas que você simplesmente não deseja fazer? Cola nas provas da escola? Copia o trabalho do amigo dando só uma ajustadinha? Compra produtos piratas? Faz ligação clandestina de TV a cabo ou de energia elétrica?

Alguma assertiva?

Sim? Então aquele recriminado do Planalto é teu melhor representante.

Não? Um bem-vindo aos cidadãos de bem.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Big Brother is watching



Não é mais um programa de reality-show, a própria realidade é que é o show, ou viva o verbo “to show”.

Deu no jornal.

Na Alemanha, depois de 5 anos de instaladas em várias cidades - câmeras que flagram todos os movimentos de quem anda nas ruas - está sendo aberta uma conferência em Estrasburgo que discute suas conseqüências.

Em alguns casos, os aparelhinhos tratam de um controle policial que visa alertar e prevenir infrações – por mínimas que sejam – das pessoas que por ventura cometam algum delito – qualquer que seja.

Guardas monitoram os movimentos dos cidadãos e se avistam alguma irregularidade avisam por meio de alto-falantes acoplados às câmeras de que viram o que feito e pedem que desfaçam – caso seja possível – ou que automaticamente estão sendo autuados por atitude irregular / ilegal. O projeto – sistema igual também na Inglaterra - começou por causa dos atentados de 11 de setembro para prevenir contra atos terroristas, mas sua expansão e controle agora assustam.

É, George Orwell estava certo quando lançou o livro – que deu origem a um filme homônimo – 1984. O livro narra a história de uma sociedade totalmente dominada pelos controles externos – através de equipamentos de vídeo – onde o Big Boss tudo vê e tudo sabe. Aliás, é baseado nele que existe o programa da holandesa Endemol, os BBBs, brasileiros ou não.

Será que terei que me preocupar com isso no futuro? Como ficará meu chopp depois do trabalho? E a olhada mais lasciva àquela mulher que passa?

P.S.: Confesso que catei pela Internet, a matéria assistida na TV (Globo) que me levou a escrever este texto, mas não achei. Se alguma alma caridosa, passar por aqui e achar a reportagem / vídeo, por favor, deixe o link. Obrigado.

Sem endereço nem classe social definidos


Guernica - Pablo Picasso
Mais uma bala perdida. Sim, eu sei, qual a novidade nisso? Dessa vez, o “novo” fica por conta da classe social da vítima. Acostumados a ver / ler sobre incidentes de tiros a esmo que atingem os transeuntes – é incrível – mas, nem mais nos “emocionamos”. Mas, essa ocasião – de agora – deixa uma imagem diferente. Uma universitária, de boa aparência e também aparentemente de boa condição social e financeira é a nova vítima.

Trata-se da estudante e assistente de Publicidade, Juliana Pereira da Silva, 23 anos que passava com seu Celta na Estrada da Água Branca, em Realengo, por volta das 4h00min.

O cerco se fecha.

Assim como aconteceu com a AIDS que era só dos homossexuais libertinos e drogados, agora as balas perdidas não escolhem mais um “nicho de mercado”. Antes eram só os pobres, os miseráveis, os moradores das "comunidades" - de favela - e os desavisados que passavam por lugares ermos. Ou seja, eu, você e aquele seu amigo podemos ser os próximos! Quando o perigo está próximo nos sensibilizamos.

P.S.: sei que muito provavelmente não é a primeira vez que alguém da classe média, média-alta ou alta é atingida por esse tiros sem endereço, mas dessa vez o fato pareceu – para mim - estar mais perto.

Obs.: A figura é “Guernica” de Pablo Picasso. Sobre o bombardeio nazista de 26 de abril de 1937, ontem completou 70 anos. Algo me remete ao acontecido, pois vivemos num clima de terror.