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terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Tragédia no Metrô do Rio de Janeiro

Eram seis horas, hora do rush e o metrô estava cheio, digo apinhado. As pessoas se espremiam, acotovelavam. Os mais sortudos estavam sentados ou encostados nas paredes, os demais sofriam a cada parada brusca ou movimento mais sacolejante. Alguns passavam em suas faces, o sofrimento, mas a maioria encarava de modo normal, cotidiano, quase como acordar e abrir os olhos – era parte da rotina e da luta do dia-a-dia. Suor, respirações ofegantes, o encostar-se a outro ser “desagradante”.
Fazer o quê se aquele era o melhor transporte? Carro? Quê carro? Ônibus? Inda pior. A pé, impraticável. O movimento às vezes dava sono e embalava os "cansados da batina".

De repente, acelerou. Muito correu. Assim. Assim como nunca tinha se visto. Estranho. Todos se entreolharam, atônitos, sem conseguir dizer nada. Criaram um clima de normalidade no anormal – porque as pessoas fazem isso? – Numa situação quase blasé tudo continuou até que a luz diminuiu, então as pessoas imediatamente voltaram do transe, mulheres soltaram gritinhos e homens começaram a bater nas paredes, algo de esquisito estava acontecendo. E o movimento dos vagões aumentava, a estação que seria a próxima parada, passou quase que num flash, uns dois ou três segundos quando deveria demorar uns vinte.

Num novo relance, as portas se abriram, pessoas caíram nos trilhos. Ouviam-se os gritos, morriam queimados em instantes. O terror tomou conta de todos, se debruçavam sobre as cadeiras, se apoiavam um tudo que podiam. Puxavam os mais fracos usando-os como escudos de proteção. Era cada um por sua conta e vida. Uma luta angustiante. Os olhos das pessoas mostravam pavor, de seres humanos viraram criaturas, lutando pela sobrevivência. E seguia desgovernado o trem, nova estação passava, agora, deserta. Estávamos à mercê. Sentíamos que todos tinham ido embora e que algo de muito grave estava acontecendo, as máquinas não obedeciam, os celulares estavam loucos, quando tinham sinais emitiam chiados que deixavam qualquer conversa incompreensível. Era 10 de janeiro de 2009 a real data da virada do milênio e o mundo estava acabando. Quando finalmente acordei. Ô pesadelo monstruoso. Pior, 10 de janeiro ainda não chegou.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Ponto de Natal

.
Mais um ponto.
Contar mais um ponto. Um ponto a favor.
A favor da solidariedade. Em favor da paz. Contra a pobreza.
Em benefício do bem estar.
Para melhorar a vida. Aliviar os sofrimentos. Ajudar o amor.

.
Ponto de Natal.
O melhor ponto de Natal para um melhor conto de Natal.
Dentro de cada coração.
.
Ponto.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

O barquinho


Boat against the light - Walter Lazzaro - 1960
O barquinho branco raiado de cima a baixo de verde estava encostado num canto do porto. Triste e manchado pelo óleo da baía não mais se sentia vivo.

Tempos remotos dos pescadores alegres que saiam a pescar. Traziam às vezes muitos peixes outras vezes nem tanto, mas ele vivia relativamente feliz. Tinha uma vida como qualquer outra embarcação pesqueira, com alguns momentos bons e outros não. Mas, a esta altura da vida, com mais de trinta anos de existência, não esperava mais nada em sua jornada. Contudo, ainda não havia se conformado com a situação que atualmente se encontrava.

Num dia de mar mais bravio suas amarras se soltaram e foi aparecer num outro país. Lá encontrou um belo marinheiro do qual não se lembrava, no entanto ele sim. Nunca dantes tiveram navegado juntos, mas a troca de olhares entre os dois naquele momento trouxe um clima especial. Puseram-se então a deslizar por mares revoltos. E aos poucos foram construindo uma relação de confiança. Suas pescas agora eram fartas e lhes proporcionavam largos sorrisos. Uma nova vida se aprumou para o barquinho.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Deusa Grega

Nua, decidiu como numa brincadeira se envolver no lençol e traçar contornos de uma fantasia de Deusa Grega. Linda, se admirando no espelho fiquei a admirá-la. Num amplexo, peguei-a e num momento juvenil, me atirei na cama, puxando-a comigo com seu corpo por cima. Abracei-a mais forte com desejos de carinho. Ficamos ali por alguns momentos nos olhando pelo espelho instalado no teto, nos querendo e gostando. Risadas divertidas foram dadas e rolamos pelo colchão bagunçado em alegrias, ternuras e muito amor.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Ela


Sunday - Johanna Harmon
Pequenina de olhares rasgados
Camisetinha preta e um jeans
Sem adereços, só um batom e
às vezes um colar lhe bastavam
Sorrisos e cigarro vez por outra
Boca comprida e fina rosácea
No caminhar alguns balanços e
vontade de passear

Pequenina de quadris largos
Seios médios, barriga lisa
Costas torneadas e curvas
Cintura pequena de encaixe

Resvalar de amores num canto
ou onde ele a levava
Beijos para sempre
Intermináveis
Gostosos
Mordiscadas

Sonhos
Um nascimento por vir
Uma loirinha bem branquinha
Olhos verdes
Sapequinha, teimosa e firme
Inteligente, esperta e geniosa
Realidade presente no ano seguinte

Cinco agora eram
Casa cheia
Repleta de alegria
O passado tenebroso se fora
Uma nova vida para os dois

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Igrejinha


Springtime in the Country - Alice Kent Stoddard
Ao longo se via a ponta da igrejinha. Num verde clarinho e límpido. Eu imaginava os cultos religiosos, freqüentado por moçoilas de saias compridas, estampadas e de pano. Simples.

O cenário me remetia a tempos anteriores.

Era uma moça em especial, ainda permanecia, vingava em minha mente, desde o longínquo passado. A menina me chamou a atenção. Ela, naqueles instantes pretéritos estava voltada à religião de forma definitiva. Mas, graças, isso só fora nos momentos de outrora.

Bonita aos meus olhos, o pensamento ia longe. Queria afagar-lhe a nuca, massagear seus cabelos e beijar suavemente seu pescoço. Iria buscar os ouvidos para lhe cochichar juras de amor.

Traços finos, nariz comprido, pele branca com sinais de Sol, boca grande, lábios finos, olhos esverdeados, sobrancelhas naturalmente bem delineadas. Longas madeixas, lisas e brilhantes, pele fina e pescoço longo e convidativo a uma carícia. Descrita minha musa.

Sorte minha que aquela adolescente não seguiu os caminhos religiosos.

A tenho e a quero para sempre.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Madrugada na cidade


Narragansett Bay from Jamestown (pair) - Charles Wilson Knapp - 1870
As gaivotas voavam em fila, com rasantes sobre o espelho d’água. Repentinamente, mudaram de curso. A formação agora estava em forma de “V”. Buscavam uma térmica para lhe diminuir o esforço e flutuar entre o mar e o céu. Passavam neste momento em frente à barca. Vistosas, com o peito alvo estufado para frente, pareciam estar orgulhosas pelo belo espetáculo que davam. Revoadas, acertos, mudanças, planadas, desvios, refluxos.

Os ventos lhes davam um ar de força. Vigorosas e leves. Vinham com as asas fortes, abertas, resistindo ao empuxo dos calafates. Depois, deslizavam pela brisa sem esforço como se aproveitando do momento.

Escorregavam pelo céu, felizes, soltavam pipiares de êxtase. Navegavam junto com as embarcações gostando do rastro dos peixes frescos. Avistavam mais longe, viam seu destino em deleite. Jovens aves, crianças,... queriam se divertir.

Alimentavam-se dos peixes e da agradável paisagem da baía. De um lado o Rio, o Pão-de-Açúcar e o Cristo Redentor, do outro a Fortaleza de Santa Cruz e as paradisíacas praias de Niterói.

Morros, mares, florestas, riachos, rochas se incluíam no lindo amanhecer da cidade.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Um pedacinho.... continue a escrever, pois o faz muito bem!


A Girl asleep - Sir Matthew Arnold Bracy Smith
Era tarde da noite e todos já haviam se recolhido aos seus aposentos. Pelo silêncio e o adiantado da hora era inconfundível saber que toda a casa adormecera.

Lentamente deslizando as pernas sob o pesado edredom de algodão, ainda pensava se deveria ir confirmar aquele sono que se mostrava absoluto entre os moradores, quem sabe alguém ainda acordado para um último boa noite e talvez uma amistosa xícara de chá.

Não, a verdadeira intenção estava longe disso, era a tentativa de expulsar a insônia que a assolava há várias noites advinda de outras causas e nada a afastaria, apenas seria uma pequena e breve pausa para distrair a mente até ressurgirem todas as palpitações, dúvidas, anseios, desejos, calores que aprisionariam novamente à loucura daquele ser enigmático que entrara faz pouco tempo em sua vida.

Como uma bala perdida entra e se instala na vértebra cerebral, impossibilitando sua remoção, pois de certa maneira o encaixe preciso tornou-se parte integrando-se naturalmente, qualquer risco de remoção poderia danificar todo o sistema, e trazer conseqüências inimagináveis.

Mas, a pressão causada mantinha todos os nervos conscientes da sua presença forçada e intransigente. Tentava relembrar os fatos ocorridos desde o início daquele primeiro e absoluto encontro. Tentava reviver novamente o exato e mortal momento em que tudo havia mudado e mudado definitivamente seu ser. Breves momentos de raiva lhe passavam aos pensamentos: Maldita hora! Maldito homem! Maldito encontro! Mas, apenas rápidas chispadas de fogo e ódio, para, a seguir soltar-se e redimir-se inteiramente ao destino encontrado.

Monstruosa perturbação, doentia encontrava-se sua mente que não descansava e a todo instante arremetia-lhe aquele estranho. Estranho tão bem conhecido, tão bem entendido, tão bem desnudado inteiramente por ela. Víscera da sua víscera!

Ela

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Oito dias


Plum Island - Jeff Muhs
Por oito dias... Caminhamos pela ilha. Mergulhamos em águas límpidas. Ensinei-te a nadar. Beijei-te no mar. Se dependurou em mim, nos abraçamos. Passeamos por trilhas. Avistamos pássaros. Admiramos o verde da mata. Visitamos cachoeiras. Almoçamos comida caseira. Compramos bugigangas. Tomamos chuva bem agarradinhos. Fizemos amor e dormimos encantados. Brincamos na praia e subimos pedras. Enveredamos por caminhos desconhecidos. Visitamos ruínas. Andamos de barco. Tomamos Sol e cuidamos um do outro. Dei-te comida na boca. Beijei-te. Escorregamos em nossos corpos. Suamos e sorrimos.

Como é bom estar contigo.

Fomos felizes por oito dias na ilha que é dos deuses.

domingo, 1 de julho de 2007

Erótico?


Fanciful Dreams - Giuseppe Dangelico Pino
Minha amada batia à porta. Levemente suado eu já estava sem camisa. Pedi que aguardasse um tempo para me decidir se iria ou não colocar algo. Abri a porta e a vi recostada à soleira da porta com um sorriso cheio de amores. Abraçamos-nos e ficamos nos beijando e nos desejando por alguns minutos. Aos poucos, com o calor do amplexo, gotículas se formavam às suas costas. A saudade era tanta que não dera tempo de sequer tirar o casaco ou de retirar a bolsa que continuava dependurada em seus ombros. E vinham mais beijos suaves, fortes, ternos e também sacanas. Mordiscadas nos lábios e possessão de línguas. Em pouco tempo, já nos sentíamos mais felizes por causa do nosso encontro. Mágico como sempre. Alegre, feliz e cheio de prazeres. Deleites da carne, do íntimo, do amor que sentimos um pelo outro. O que queríamos era estar juntos. Custosas são as ocasiões de nos reaver. Na maioria das vezes se concretizava em nossos planos. Então, era agora mais uma rara vez.

Saí um pouco do transe. E ao me deparar com a porta ainda aberta, puxei-a pela chave e a fechei. Não queria compartilhar com mais ninguém aquele momento. Ao mesmo tempo em que ainda a envolvia com um dos braços, rodei a chave, finalmente tranquei a porta. Depois lhe tirei a bolsa dos braços, comentei qualquer coisa sobre minha saudade e sobre os suores às suas costas. Ela me disse: “Eu te adoro”. Talvez seja a frase que eu mais tenho escutado dela durante essas poucas semanas. Dias esses em que nos encontramos, fazemos amor, conversamos, bebemos, jantamos, almoçamos, vamos ao cinema ou caminhamos juntos pela cidade. Puxei-a pelo corpo suavemente mais para dentro do quarto. Depositei sua bolsa na penteadeira e pedi que tirasse o casaco. Estávamos absortos um no outro.

Empurrei-a na cama. Pediu-me que fechasse a greta que ainda havia por entre as cortinas do quarto. Fechei. Voltei-me para ela. Linda, estava debruçada na cama. Tirei rapidamente seus sapatos e os meus. Mergulhei por cima dela, enchia-a de beijos e rocei meu corpo e meu sexo em suas coxas ainda vestidas pela surrada calça jeans. Levantei um instante, abri-lhe a calça e ela levantou as pernas me ajudando para que eu a despisse para que a deixasse de calcinha. Tirei minha calça, estava agora só de roupas íntimas, mas logo decidi tirá-la também. Aquela visão dela deitada sorrindo apenas de calcinha e blusinha já me tirava do sério. Fui despindo-a com calma e muito desejo. A cada momento eu a olhava, e percebia a satisfação daquele momento em seus olhos. Finalmente a despi completamente. A hora de tirar a calcinha sempre foi um momento especial para mim. É o momento da entrega, do desvendar o mundo da mulher. Do segredo mais íntimo, de perceber a vontade de estar comigo e de sentir o desejo de ter-me por inteiro. Valorizo muito esse instante, olho atentamente para os pêlos pubianos, e para o desenho do ventre. É especial. E estar com ela é sempre especial. Já totalmente excitado toquei-a tentando perceber se ela já estava excitada e preparada tal qual eu me encontrava. Levemente molhada, sua vulva ansiava por ser penetrada. Puxei-a mais para cima da cama, pois ainda estávamos muito na beirada. A quis com tudo, fui brando, mas forte, penetrei-a e a vi sentindo meu sexo explorando sua vagina. Ela já se contorcia, fechava os olhos, eu chegava ao seu fundo. Sua face mostrava que um misto de dor e prazer se misturavam naquele momento. Às vezes ela espremia os olhos demonstrando que eu a tocava profundamente. Mas, apesar dessa mostra de toque mais intenso ela gostava, pois estava completamente preenchida.

Ficamos algum tempo nos beijando e nos movimentando durante o ato. A virei e a puxei agora ela vinha por cima. Em movimentos ritmados ela ia e seguia se roçando e sendo penetrada. Eu enrijecia a barriga e as pernas para lhe proporcionar mais prazer. Facilitava que seu clitóris pudesse se roçagar em mim. Às vezes ela parava, mas eu a puxava querendo-a mais. Em pouco tempo ela estava a berrar demonstrando seu prazer naquele “exercício”. Suas expressões faciais mostravam-na em êxtase, seus braços descontrolados me enfiavam as unhas nos meus. Estava mais solta do que de hábito e isso me excitava demais, seus gritos de prazer eram mais intensos e altos. Eu adoro isso. Meu sexo estava rijo e cada vez mais inchado por causa do que o momento me proporcionava. Ela já estava quase gozando e começou a parar com seus movimentos, mas em contrapartida eu não a deixava que fizesse isso, puxava-a com força pela cintura. Trazia-a de modo a se esfregar em meu corpo. Ela vinha... E... finalmente gozou. Mas, não satisfeito a explorei mais, continuei sozinho em penetrações e fricções. Uma de suas pernas se afrouxava, mas eu a continha com o joelho, queria-a ainda mais. Veio então o segundo gozo. Ela pedia que parasse. Seus urros de prazer já eram descontrolados, muito mais altos do que de costume e se superavam com o tempo. Seus cabelos estavam consumidos pelo suor. Sua barriga, encharcada. Seus seios tesos. As pernas ainda vacilavam querendo se desdobrar de forma a se deitar completamente por cima de mim. Mas, em meio jeito insaciável de lhe dar prazer eu não o permitia. Ela já estava cansada, ofegante, com o coração palpitando. Puxei-lhe mais algumas vezes em ritmados deslocamentos. Veio o terceiro gozo. Ela desabou por cima de mim. Não havia mais o que pudesse ser feito. Em êxtase pedia-me que a abraçasse. Seu coração pululava, eu sentia seus batimentos descompassados com seu corpo inteiro colado ao meu. A satisfação me veio ao rosto. Eu estava feliz. Fizera-a mulher. A da minha vida, ela tinha novamente muito prazer. Se eu pudesse a teria sempre assim, desgovernada em prazeres e loucos momentos de êxtase e tesão. Amo e sempre lhe darei prazer.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Comunique-se - Vale a pena ler de novo


Pencil 1 - Hong Kyong Tack
Hoje, 28 de junho foi publicado, o texto: “No mar da tranqüilidade” no site Comunique-se, seção Literário.

Para acessar diretamente o texto* clique aqui

Ou então, veja-o aqui

* necessita de cadastro no site

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Perfeitos um para o outro – Parte I


Motel Window - John Barnes Dobbs
Na penumbra, abraçados, se avistavam no espelho do teto. O casal de médicos, conhecidos de longa data, estava esgotado. Fora uma intensa e às vezes selvagem união completa dos corpos que sempre os deixava felizes, com ares de paixão, carinho e amor. Nesse momento admiravam um ao outro refletidos e as carícias aconteciam suaves. Encaixados, ainda suavam com o calor de alguns minutos de intensa troca de beijos, abraços e movimentos libidinosos. Mais que a felicidade do momento eles percebiam o quanto se gostavam e como o ato entre os dois era perfeito. Fazia pouco mais de um mês que se aventuraram em suas primeiras experiências buliçosas e já se encontravam muito bem na cama. Como jamais havia se visto.

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Sangrento


Me and Bruce Lee and another famous yet un-nameable man - Angela Dufresne
Avistava o paredão incólume.
Mal havia espaço para o céu.
As luzes desviavam para não se chocar.
Lá embaixo o mar borbulhava.

Criaturas noturnas povoavam
O lugar entre as penumbras.
Uma ponte se alçava em arco.
Carros e seus faróis passavam
E iluminavam a estrada seca.

Bambus atraíam morcegos sangrentos.
Uma ruela e um riacho se encontravam
Ali, por onde meu amor passou sozinha.
Suas carnes estavam agora espalhadas
Pelo chão de terra, frio e sem emoção.

Um lobo a atacara até ela desfalecer.
Depois separou suas juntas e pele.
Seu sangue ainda escorria quente
Correndo para as pedras mais adiante
Um manto foi colocado e uma reza feita.
Ali jaz a prima-dona ruiva de voz grave
Suas roupas espalhadas davam a noção
Da batalha que ali acontecera, fugaz.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Nova York, Cidade dos “Todos”


Nocturno sobre Broadway 2-6 - José Manuel Ballester
Todos os doidos estão lá, todas as modas dão seu ar da graça naquele lugar, todas as raças, credos, nacionalidades aparecem por ali. Onde mais se encontram pessoas que saem correndo dos prédios já pela manhã? E donde vem aquela praticidade que lhes é familiar? Você, por acaso, em algum momento se deparou com as embalagens deles? São demais, tudo abre como um simples ziper. Sabe aquela guloseima que de tão mal embalada demora-se horas para abrir e quando abre caí tudo no chão e você morre de raiva? Pois é, isto é impensável nesta cidade. Todas as embalagens são simples.

Aliás, outra particularidade é que toda e qualquer cena inusitada se vê por lá. E o mais curioso é que todos fazem aquele olhar blasé, como se nada estivesse acontecendo. Pode-se encontrar numa esquina o Stomp dando um show, no meio da rua, em plena Times Square e tem-se a impressão que é a coisa mais normal do mundo. E que tal entrar numa boate e somente ser capaz, passados alguns minutos, perceber que está num salão de beleza?! E se do nada você se depara com uma loura linda totalmente nua protestando contra a venda de peles de animal em pleno e rigoroso inverno nova-iorquino? O que pensar de um local assim?

Lá, até mesmo o conhecido mau-humor dos sitiantes possibilita cenas incomuns, imagine um daqueles postes – a impressão que se tem é que todos os policiais têm mais de dois metros – fazendo poses ao direcionar o trânsito. E uns gays que saem com suas calças totalmente transparentes usando calcinhas vermelhas por baixo? Impossível não chamar a atenção não é? No entanto, depois de um tempo, você acostuma, pois estas cenas são mais comuns do que se idéie.

Lembra daquele maluco corredor? Pois é, a vontade que tive no primeiro dia, logo ao chegar, foi parar o sujeito que saía correndo pela portaria e perguntar: “Hei, aonde se vai com tanta pressa?” ou ainda “Você também corre dentro elevador ou veio mesmo pela escada?”.

Outra, tem uma pizzaria fast-food na Rua 34 em que o atendente nunca espera você pensar no seu pedido. Titubeou por um segundo, ele dispara: “next”, ou seja, bobeou, volta para o fim da fila. Na hora dá vontade de soltar um palavrão, mas a cena é tão cômica que você se vê lá parado com cara de babaca e desanda a rir. O que fazer diante de um sujeito que nem pisca e berra “next” umas duas mil vezes por dia?
Esta é Nova York, uma cidade levada a sério por todos, mas hilária com todos,... Todos estes nova-iorquinos, todos loucos.


Publicado em 4 de setembro de 2006 no site Comunique-se

Link direto (nem sempre funciona)

Ele


Snow Lovers - Ernst Haas
Toda vez que eu o encontro ele me pega em seus braços. Faz de uma maneira que eu me sinto protegida, envolvida. Seus abraços são fortes. Os beijos são, ora suaves, deslizando nos meus lábios os seus, ora intensos e profundos. Sempre que nos encontramos, fecho os olhos e tenho vontade de me entregar. Ele me diz linda. Em seus olhos leio a ternura e carinho que tem por mim.

Podemos estar em qualquer lugar, mesmo no meio da rua, pouco resisto às suas investidas. Aos poucos, depois de alguns poucos minutos, estou lá eu, em novo estado, excitada.

Estou quente e meio que embriagada. Tenho vontade enorme de ficar, ficar, ficar... Permanecer ali, juntos.

Num breve instante ele me faz tão bem. Primeiro o ego, depois o meu lado mulher, antes adormecido. Me vem um desejo de estar a sós com ele. Num quarto, mesmo que só abraçadinhos. Imagino assim, nua e envolvida ou o envolvendo mesmo que sem fazer mais nada, só curtindo o momento. E pensar que eu nem gostava tanto de ficar de “conchinha”. Mas, com ele isso muda.

Ao mesmo tempo em que sonho com esse momento, sei que depois, as coisas são mais agitadas. Entramos devagarzinho no quarto, mas daqui um tempo, ficamos mais e mais estimulados. A hora de aparente tranqüilidade se esvai. Tentamos, nem sei porque nos segurar, pois acabamos arrebatados. Percebendo o momento íntimo sem travas, sozinhos, com nada a nos perturbar quero-o logo dentro de mim. Num quarto nossa lascívia se faz presente. Dou muito tesão nele.

É muito bom tê-lo em mim. Sou preenchida. Ele vem ora brando, ora forte. E encosta lá no fundo. É um misto de dor e prazer. Algumas vezes me perco, e enlouquecida me mexo sem parar. Esfrego-me nele. As pernas ficam desorientadas e vão desarrumando a cama já mal feita. Os braços o apertam, as unhas por vezes em um descontrole lhe riscam suas costas. A boca pede em algumas ocasiões beijos, em outras morde-o com vontade no braço. Deixo-lhe com marcas roxas. Brinco e digo que é minha marca registrada. Meus gozos sempre tão complicados e difíceis agora mais comuns. Não mais esperava ter novas sensações como estas.

Na cama, brincadeiras se sucedem, ele me toca e me estimula, é algo intenso. Retorço-me, clamo por parar, mas quero mais. Foi-se a moderação, receio machucá-lo. Ele pede mais descontrole, xingo-o de desgraçado. Falta-me o chão naquele segundo. Estou em suas mãos. Tenho verdadeiro pavor de me sentir entregue.

Gosto muito dele, sinto-o como uma pessoa de boa índole, mas tenho medo, muito medo. Seus toques, seu sexo, suas intervenções me atordoam, não posso ficar na mão dele! Mas, ele pede: "solte-se, se descontrole, eu quero muito você".

Por vezes realmente entro num frenesi. Faço amor de maneira ensandecida, sou fogo e ardo. Ele se esgueira, mas com um sorriso, mostra que está gostando do que vê. Sinto-me inteira, mulher. Mulher como faz muito tempo não era. Olho para os espelhos, no teto e à frente e reparo nos seus movimentos, no seu corpo. Agora também sou uma voyeur. Ele me penetra, faz movimentos, circulares, lentos, rápidos... Me deixa em tensão. Vez por outra dá uma estocada mais forte e extensa daquelas que me rasgam. Sinto-me pequena para ele. Seus suores me caem nos olhos, mas não incomodam.

Agora tenho vontade de deslizar minha boca pelo seu corpo, pelo seu sexo, e bem sei que poucas vezes me senti tão à vontade com isso.

Nossos momentos são curtos, mas intensos, em poucas horas nos engalfinhamos, nos entrelaçamos. Gostamos de ficar abraçados. Os abraços, no entanto são pequenos instantes, pois lá está ele novamente a me provocar. Aliso-o e já estamos novamente... Pouco a pouco nos cansamos.

Nossa química é boa ou será perfeita? É verdade que ainda nos tateamos, pois pouco nos exploramos. Estamos nos conhecendo. Entretanto, alguns toques já indicam alguns atalhos decifrados, muito falta, porém. Está tudo maravilhoso. Por que me sinto assim com ele? Quero me conter e não consigo. Meu desejo por ele, o carinho e a vontade de querê-lo bem me conquistaram.

Sei que ele é um bom homem, e que não irá me machucar, mas a sensação de desgoverno me assusta. Mas, é claro que em mais algum tempo irei me soltar, pois sei que assim poderei dar-lhe mais prazer. Estou completa.

Nos divertimos, ele é meu homem, carinho e bem-querer.

domingo, 10 de junho de 2007

Meu melhor presente


Niña con Hámster - Angel Botello
Conhecer pessoas é coisa corriqueira na vida de qualquer um. Mas, anjos não. Conheci um esta semana. Com tudo que tem direito, tais como se imagina, nem as asas faltaram. Essas, porém, nem todo mundo consegue ver. Só quem sente o toque de magia que o querubim te passa é que pode visualizá-lo alado.

Receber o carinho dele te transmite paz. Experimentar um olhar te faz sentir especial. O toque. Com a mão ela me protege. A sensação é de ser intransponível, imortal. Símbolo da proteção divina.

É uma querida criança que te transporta para outro mundo. Coisas que transcendem. Como eu queria abraçar aquele anjo! Estou mais perto do céu! Mas, sabia que ainda não era hora. O serafim tem que estar à vontade. Estou de cheio de vícios, defeitos, impuro, é preciso limpar a alma. Há todo um processo de purificação pela frente e só a convivência irá tornar-me digno.

Mas, ao contrário do que se pode imaginar, já tive meu dia feliz, fui presenteado num só dia com um pedido de dar as mãos e até olhares cúmplices. O que mais posso querer? Já estou envolto em nuvens. Passarei os próximos dias arrebatado, protegido e iluminado.

Estou emocionado.

Foi meu melhor presente. Que sejam permitidas novas as trocas e benções do anjo. Sinto-me agraciado pela oportunidade de conhecê-la!

segunda-feira, 4 de junho de 2007

O prato


Face – Sold - Pablo Picasso - 1960
- O que há contigo?
- Querida, não gostei desse prato.
- Meu amor, comprei-o porque me identifiquei muito com ele.
- Ele não tem nada a ver com você.
- Tem sim, me remete ao passado.
- Parece frágil.
- Não é, pode ir até ao forno, tem essa aparência, mas não o é.
- Então, que você o use, não me inspira confiança, parece que vai soltar um pedaço.
- Está com ciúmes de um prato?
- Claro que não.
- Tá bom, vou jogá-lo fora, o que mais me importa nessa vida é você.
- Eu te amo.

terça-feira, 29 de maio de 2007

Carta aberta ao meu amor – primeira versão


Lovers - Fiorella Furzi
Saiba meu amor que sempre a terei com uma boa lembrança por mais que tenhamos terminado de forma brusca e estúpida. Que guardarei nossos momentos mais lindos em minha memória. Que meu coração sempre palpitará diante de sua presença e que minhas pernas sentiram a emoção de forma incontrolável e trêmula.

Lembre que sempre fiz de tudo para te trazer uma imensa alegria e que meu maior presente foi olhar para você e vislumbrar seu sorriso. Que ao olhar para seus olhos transmiti a mais imensa ternura que senti por você. Sempre a tratei como um bibelô e mulher, como a pessoa mais importante do mundo. Que meus pensamentos deslizavam por todo o dia – com pequenas interrupções – ao seu encontro. Perpetuamente és razão do meu viver, pois em tu estava a maior parte das minhas alegrias, a de fazer alguém feliz.

Que também, mesmo diante dos piores momentos de nossa relação - infelizmente impossíveis de esquecer - suas gargalhadas e seus prazeres demonstrados em estar comigo estarão sempre no meu íntimo muito maiores do que qualquer coisa. Saiba que se existe um amor verdadeiro e que ele possa ser traduzido eu o demonstrei todo a você. Este sentimento foi dado em cada instante de carinho, de desejo e das mais infinitas carícias. É claro, não sou perfeito e tive meus momentos de ser humano e de desequilíbrio, mas peço que os releve, pois o que estava dentro de mim sempre foi o meu amor por você. E que a maior dessas demonstrações foram em estar contigo e não com outras mulheres em busca de prazer ou de sexo fácil. E nisso pensei sempre como mulher, o meu desejo esteve sempre ligado ao carinho e ternura que senti por ti.

Lógico que um pouco de perversão passou pela minha cabeça e como ser imperfeito olhei para muitas mulheres com maldade sexual, animal e de macho. Mas, que também nada me moveu mais forte do que estar junto a ti. Óbvio é que desejei mulheres, mas nunca com a intensidade dedicada a você. Minha doação a você foi total,
às vezes pronunciada como uma caixa de bombom, um presente ou flores fora de hora ou simplesmente com palavras queridas e frágeis vindas na minha boca. Palavras vindas juntas com atos de extrema entrega, sensíveis e eternas.

Perceba que cada momento em que me viu sorrindo todo o meu corpo o acompanhou. E com a irradiação destes momentos, sou capaz de jurar que poderia se iluminar até a mais longínqua galáxia tal a energia expressa nesses instantes.

Lembre-se que sempre a amarei em meus mais recônditos sentimentos e por mais que tenhas de alguma forma me magoado terei somente aquilo de bom que tive contigo. Tudo impresso em meu ser.

Contos Contíguos – capítulo III – Guilherme


Le rêve du peintre (The Dream of the Painter) - Marc Chagall
Guilherme era alto, moreno, forte. Seus pais sempre o forçaram a ser médico, diante da insistência em não seguir a carreira, abriram mão até em favor da advocacia e da engenharia. Mas, não houve jeito Gui queria ser administrador.

O pai achava que seguir administração era para ricos ou para quem nada queria fazer ou ainda por quem não sabia por onde seguir. Farmacêutico frustrado, pois tentou a medicina. Mas, além do valor intelectual não ajudar muito, a carreira exigiria um investimento que dispunha já que vinha de família pobre. Não desejava o mesmo para os netos, já passara muita dificuldade na infância e adolescência. O filho optando por outra carreira o desapontou fortemente e quase o pôs para fora de casa. Fora muito rígido com ele e desde o conhecimento da opção dele jamais o tratara da mesma forma. Foi diante desse panorama que o jovem seguiu sua vocação, como ele mesmo dizia a todos.

Lutou muito para conseguir seu primeiro trabalho, conseguiu, tempos depois de seus colegas de faculdade e de ginásio, um pequeno estágio. Nessa própria empresa era meio desacreditado como profissional, não havia feitos cursos extracurriculares e isso o punha em desvantagem em relação aos outros. Seu maior mérito era o brilho dos olhos e uma perseverança fora do comum. De família judia, porém pobre, coisa rara, Gui sempre teve grandes ambições. Levou a sério consigo a missão de ter muito dinheiro.

Mulherengo sabia como conquistar as meninas, seu porte e sua aparência e olhos azuis ajudavam. Aliás, foi assim que conseguiu sua primeira grande chance, paquerou uma mulher bem mais velha de uma grande empresa. Ela teve papel fundamental nessa escalada, pois além de lhe avisar sobre um processo seletivo pouco divulgado deu-lhe uma “forcinha” nas entrevistas. Pouco antes de sua contratação ela disse-lhe: “Faça sua parte que eu te coloco lá dentro”. Depois saíram algumas vezes, mas ela já calejada notara que ele não era homem para algo mais sólido. A diferença de idade, doze anos, não fazia tanto peso, mas Guilherme queria outras coisas.

Anos mais tarde, o rapaz já estava numa posição de relativo destaque no mercado e traçava todas as meninas. Sabia que o dinheiro, o carro e o apartamento recém-comprado faziam bem o papel para que as moças o desejassem, e valia-se disso.

Mas, isso foi até o dia que conheceu Marina. Ela surgiu por acaso em sua vida, fazia muito tempo que tentava na academia que freqüentava conquistar uma loirinha, pequena e muito bem torneada. Sempre que olhava para sua bundinha ficava louco. Mas, eis que em uma dessas festas que algumas academias promovem, ele foi na intenção de finalmente encontrá-la. Achava que tinha mais chances fora daquele ambiente viciado. Contudo, em meio a uma multidão procurou-a, encontrou-a, mas junto também achou a amiga dela, a Marina. Na verdade, um grupo inteiro de mulheres maravilhosas. Entretanto seus olhos pararam nela. Foi com tudo para cima, e alguns momentos de resistência depois ele já a estava beijando. Não fora um ósculo apaixonante, mas o prazer pela conquista falara mais alto. Mari era alta, loura, olhos azuis assim como os seus e chamava muito a atenção pelo sorriso claro e límpido. Simpática e inteligente, também era uma boa conversa para horas. Engataram um relacionamento de três anos.

Mas, todos nós pensamos que a priori serão tudo maravilhas no relacionamento. Infelizmente não, após o primeiro ano seus contatos esfriaram, na verdade nunca nada fora intenso. A relação sexual entre eles era confusa, ela nunca o procurava e às vezes à noite parecia que se conflagravam verdadeiros estupros. Havia o consentimento dela é claro, mas sem nenhuma ponta de desejo. Ele tão caloroso, se via frustrado. Gostava muito de sexo e aquilo o incomodava. Sentia um carinho enorme por ela. Mas sua vida tinha se alterado completamente depois dela. Sua carreira continuava em alto estilo – até melhorara – mas a insatisfação tomava conta. Outra coisa que não gostava naquele relacionamento era a falta de vontade dela em ter filhos no futuro. Contudo, isso achava que poderia ser alterado mais para frente, pois até a família dela o apoiava. No entanto a escassez de sexo o afligia cada vez mais. Tentava fugir das tentações como medo de magoá-la, mas não havia jeito, tinha que dar vazão àquele desejo carnal. Demorou a praticar o primeiro “adultério” – não eram casados, mas viviam juntos. Somente após mais ou menos vinte meses a traiu pela primeira vez, e foi com aquela gerente que a tinha dado uma ajuda em seu primeiro grande emprego – mantinha sempre os bons contatos.

Depois daí passou a buscar outras e a freqüência aumentou até que se decidiu a desfazer do que o estava incomodando tanto. Após várias conversas, não tão diretas, mas que o foco era sempre a exigência da presença dela e escapadas pela tangente por conta de Mari, ele decidiu mudar o rumo de sua vida. Largou-a muito ressentido, mas buscou seu prazer. Não podia viver com uma mulher que não o completasse como homem. E que a seu ver era a mais fugidia das mulheres que encontrara em toda a sua vida. Terminou o “namoro” e foi ter-se com uma paulistana fogosa. Entretanto, não deu certo, essa nova mulher era só sexo, e muito bom – toda vez agradecia aos céus. Que seja dito, as conversas pouco existiam. A outra coisa que o prendia a ela, era a exuberância de seu corpo e rosto era de parar o trânsito. Isso o fazia bem, dava-lhe orgulho. A propósito, Guilherme desde sua grande ascensão profissional fora tomado por uma soberba que o atrapalhou de ver o mundo de uma forma mais isenta. Seu mundinho se restringiu a ternos, carro, dinheiro, festas, restaurantes caros e esbanjar. Foi o seu maior erro, pois apesar de ganhar muito, seu patrimônio pouco fora aumentado em todos os últimos anos.

terça-feira, 22 de maio de 2007

Reflexos do Corte de Cabelo


Reflections on Hair - Roy Lichtenstein
Corto o cabelo na certeza de que a essência permanece.
Atravesso a rua e ela continua lá. Minha consciência me dizendo o que é certo e o que é errado.
Na cachola, as idéias, os pensamentos, as paixões e os sonhos.
Tudo misturado.
Como irei me entender com tantas coisas juntas?
Por isso é que nunca sabemos quem somos.
Devia ser uma coisa de cada vez, mas vêm tudo ao mesmo tempo!