O concreto o jogava ao mar
O espremia para sempre
As algas escorregavam
O forte era fraco agora
As ondas o batiam
De madeira se parecia
Nas cores do céu
Tremulava ao som do vento
Criava emoções, vivia
Sua história ali presente
Em suores e sangue
Trabalho e esforço
Seguia seu rumo
Parecia à deriva
O comando acima estava
Olhava para relva ao longe
As árvores lhe pareciam mais distantes
Chorava, pelos lados escorria
Fechava os olhos para sentir melhor
Só queria ser feliz
O que havia de mal nisso?
E seguia o barquinho
Lá no horizonte
Bonito e simpático
Como ele nem sabia
Da areia, alguém o amava muito
E o observava sempre no alvorecer do dia
sábado, 12 de janeiro de 2008
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
O segundo suspiro
Criado, vivido, morto, fatigado
Na solidão, rondando a noite
Sem esperanças, ali acabado
Longe, a custas de açoite
Chegou o segundo Sol
Apagou as angústias, temor
Encobriu a tristeza bemol
De tons e sem sabor
Sem peles a tocar
E a quem suspirar
Perdido no quarto
Morto, da vida farto
De brisas a romaria
Felicidades nas fazendas
Primeiro de noite, rendas
A se estender ao dia
Finda a procura, Fê
Agraciado em colégio
Em galerias do CCBB
Eis o maior sortilégio
quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
História em forma de poesia
"Ele mal enxerga através das lentes grossas de seus óculos, mas titubeia através do estúdio, à meia-luz do crepúsculo, passando pela janela que se abre para as macieiras em flor, curvando-se sobre a escrivaninha de madeira que guarda seus tesouros."
Quem disse que a história não pode ter lirismo?
Trecho do Livro "Antes do Dilúvio" de Otto Friedrich, tradução de Valéria Rodrigues.
terça-feira, 18 de dezembro de 2007
Grande Ilha
Dos amores
Dos ventos
Dos pássaros
Das chuvas
E dos beijos esfuziantes
Nas trilhas caminhamos pelas matas, pelas grades das fugas impossíveis e dos mares verdes e azuis.
Dos pescadores, ondas, e mar bravio. Espirrando água para todos os lados. Arrepiando as peles transformando o belo em sublime.
Vertiginosamente lembrei
Do helicóptero a transpor a Lagoa
Lembranças do paraíso no êxtase.
Seis dias de aconchego e fricções.
Cabiam mais dois nos sonhos.
Dos ventos
Dos pássaros
Das chuvas
E dos beijos esfuziantes
Nas trilhas caminhamos pelas matas, pelas grades das fugas impossíveis e dos mares verdes e azuis.
Dos pescadores, ondas, e mar bravio. Espirrando água para todos os lados. Arrepiando as peles transformando o belo em sublime.
Vertiginosamente lembrei
Do helicóptero a transpor a Lagoa
Lembranças do paraíso no êxtase.
Seis dias de aconchego e fricções.
Cabiam mais dois nos sonhos.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2007
Similaridades
Diz a Stãel que os primeiros amores não são os mais fortes porque nascem simplesmente da necessidade de amar. Assim é comigo; mas, além dessas, há uma razão capital, e é que tu não te pareces nada com as mulheres vulgares que tenho conhecido. Espírito e coração como os teus são prendas raras; alma tão boa e tão elevada, sensibilidade tão melindrosa razão tão reta não são bens que a natureza espalhasse às mãos cheias pelo teu sexo. Tu pertences ao pequeno número de mulheres que ainda sabem amar, sentir e pensar. Como te não amaria eu ? Além disso tens para mim um dote que realça os mais: sofreste. É a ambição dizer à tua grande alma desanimada: "levanta-te, crê e ama; aqui está uma alma que te compreende e te ama também". A responsabilidade de fazer-te feliz é decerto melindrosa; mas eu aceito-a com alegria, estou que saberei desempenhar este agradável encargo.
Trecho de Carta para Carolina - Machado de Assis (2 março de 1868)
Trecho de Carta para Carolina - Machado de Assis (2 março de 1868)
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