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terça-feira, 4 de janeiro de 2011

UPPs e a verdade dos números




Não que se seja contra as instalações das UPPs mas a verdade dos números nos mostra uma realidade muito diferente do que o senso comum indica. As UPPs de alguma forma trazem suas benesses: são as UPPs sociais – talvez um dos grandes agregados – a sensação de tranqüilidade, que não pode ser desprezada pela importante influência psicológica, a aproximação da comunidade e principalmente a redução dos conflitos armados no interior das comunidades.
No entanto, um dos principais apelos que é a pacificação – que vem no nome da iniciativa – não está tão assentada assim. Comparando-se dados sobre as principais incidências criminais ou simplesmente ocorrências coletadas do ISP (Instituto de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro) entre as áreas que contam com UPP e as que não contam, o que se tem de fato é que a efetividade das Unidades não é das mais animadoras, basta dizer que das 39 ocorrências listadas em apenas 22 – ou seja um pouco mais que a metade – houve uma diminuição dessas incidências maior em locais onde há UPP do que em lugares que não as têm.
Alguns dados são até alarmantes, em locais – todo o entorno - onde há pelo menos UPP, houve um aumento de 92% de estupros comparando-se dados de setembro de 2009 e setembro de 2010, o que a priori não encontra justificativa plausível para tal fato. Outras variações, nos lugares de abrangência das UPPs, que devem ser consideradas são os aumentos de 49% das ocorrências de extorsão, +40% nas incidências de ameaças (vítimas), +34% de roubo de carga, +19% de lesão corporal dolosa, +10% em estelionato, +8% em roubo em coletivo, +6% em lesão corporal dolosa e até aumento de 22% no cumprimento de mandado de prisão que presuntivamente pode, neste último caso, ser até um dado positivo (ou não?).
Mas, pode-se notar que em sua maioria as variações das incidências nas áreas com UPPs foram para bem, com diminuições entre boas, razoáveis e estabilidade. O problema maior é quando se comparam estes padrões indicadores com as mesmas ocorrências em locais onde não há UPP. Exemplos são vários: homicídio doloso, com UPP: -5%, sem UPP: -24%; roubo de aparelho celular, com UPP: -10%, sem UPP: -23%; furto de veículos, com UPP: -12%, sem UPP: -18% e prisões, com UPP: -1%, sem UPP: -13%. Ou seja, as UPPs em si não tem feito tanta diferença nas diminuição ou não da criminalidade.
O que vem se tentar mostrar nesse alerta não é a idéia de que as UPPs são ruins ou de que elas não cumpram seu papel de melhoria na qualidade de vida da sociedade, mas que é ainda pode ser cedo para se avaliar que elas são a solução, como vem se apregoando. Podem sim ser, no entanto além de ser prematuro, não sugerem – através dos números – que seja a única e mortal arma contra os crimes no nosso estado.

Fotos: Karina Junqueira

Gráficos:

Gráfico Estupro:

Gráfico Homicídio Doloso:

Estatísticas:

Dados sobre as Ocorrências: "Com UPP" e "Sem UPP"



terça-feira, 14 de setembro de 2010

És Tu

Persigo seus olhares
Sei que parece meio brava
Mas fazer o quê?

Seus olhos me perseguem
E sua presença é inquestionável

Pele clara
Cabelos lisos
E olhos que buscam

A retorcer o lençol
Amassando-o
Espreme-se
Fecha os olhos e sente.

Abre vagarosamente
Olhando-me e brilhando em contentamentos
Sorri com o corpo todo

Ri agora de satisfação.
Mostra-se mais que nua estando
Invado-a em mais um ímpeto
Um misto de dor e prazer se sobressai em seu rosto
Contrai os olhos, mas deixa transparecer o sorriso em sua boca.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Penitência


Por penitência atravessei a cidade à pé.
Por penitência ignorei minha dor.
Por penitência me exasperei em desespero.
Por penitência enfrentei o medo.
Por penitência me desesperei.
Por penitência briguei, lutei e me machuquei.
...............
Por penitência chorei, solucei, me acabei.
...............
Por penitência fiz tudo de ruim que era possível.
...............
Por penitência me recriei.
...............
Por acreditar na justiça.
Por acreditar no amor.
...............
Para escrever este texto.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Tomado

A pele macia, no toque a vibração do coração, a taquicardia decorrente da proximidade de um maior contato mais íntimo lhe causava suores. Seu corpo reagia de maneira aparentemente desordenada, a cena tomava conta de seus pensamentos e suas ações, tremia ao mesmo tempo que sua cabeça só elaborava o próximo passo. Avançava cautelosamente, suas mãos percorriam as pernas até chegar à curva das nádegas. Olhava atentamente em êxtase o seu o objeto de desejo. Em harmonia estavam as curvas, os pêlos quase transparentes, a marca de biquíni que contornava o delinear dos músculos e a pele. O branco onde o Sol havia sido bloqueado fazia parecer que o delimitar corpóreo era ainda mais perfeito. Vinha da altura do fim das costas aberto e ia fechando se mantendo eqüidistante dos glúteos até que abruptamente fechavam e se perdiam no vão. À frente, os pêlos pubianos em parte raspados, concluíam somente uma faixa retangular que ia descendo até alcançar o sexo. Aparentava tudo programado para seduzir e alucinar quem a contemplava.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Assassino

Sou assassino. Andando perdido pelas vielas, olhando desconfiando de todos e desejando sangue. Desvio-me para outro lado, e num gesto mais áspero, olho aquele e já o odeio e quero o morto. Tenho pena dos que atravessam a minha frente, pois morrerão como moscas. A vida deles não tem valor algum para mim. Até mesmo eu surpreendo-me com a frieza dos meus atos. Na verdade nem sei o que pode passar pela cabeça daqueles que depois se arrependem. Muito menos os que questionam os assassinatos hediondos. Para mim é tudo igual. Imagino o que de fato passa nessas mentes, penso ser tudo normal, matar e comer é tudo a mesma coisa. Eu mato. Para depois fazer qualquer coisa, mesmo encontrar uma criança e acariciar-lhe como se fora eu de boa índole. Quem de fora não repara e nem percebe a mente calculista e exterminadora, aquela que não tem remorso. Vê como assim como qualquer outro. Puxar o gatilho, sacar uma faca, dar uma paulada e olhar a vítima sem o menor sentimento, assim sou. Saiam da frente se quiserem sobreviver.

A morte anda ao meu lado e junto comigo sempre esteve. Compaixão, não existe se quero matar, mato e pronto nada sinto a seguir. Sou assassino. É minha natureza, nasci desse jeito, no começo estranhei porque os outros acham matar um ato bárbaro. Tratei de não tocar no assunto e prestei atenção para ser politicamente correto e encobrir os meus desejos de morte. Após as primeiras mortes cheguei a pensar que fosse aparecer aquele tal remorso que outros elucubram, mas nada veio, pelo contrário a satisfação crescia cada vez mais. Quanto mais eu odiava alguém, mas prazer eu tinha, principalmente no dia seguinte, e vinha-me um sorriso indisfarçável no canto da boca. Lembrava do corpo, dos olhares de pavor dos que sabiam que iam morrer. Mas, na maioria das vezes a morte abraçou minhas vítimas pelas costas, com pistolas, metralhadoras, facas e barras de ferro. Ver o corpo cair sem movimentos, molenga, é interessante. Aquilo sem reação. Confesso que elaborar as emboscadas também sempre me excitou. Alguns planos bem elaborados, de tempo e ações. Os medos nos olhos deles também me deixam com uma vontade ainda maior. Na morte das mulheres ou nos fraldinhas o pavor normalmente é exacerbado e é incontrolável o êxtase no meu corpo. Os covardes aumentam mais o desejo de ir além e sacrificar eles até o fim. Gosto de caminhar no limiar da dor e do medo, na tremedeira deles, nas pernas bambas e até nos que se urinam. O riso vem de imediato, e o choro aumenta e vem a súplica. Dá vontade até de matar mais, de matar duas vezes pena que isto não é possível, pois algumas mortes são imperdíveis. Já pensei até em gravar, mas ficaria monótono. Meu trabalho é esse matar e não deixo rastros, minha “coleção” já passa dos quinhentos, acho que estou perto dos mil. Vez por outra vou ao enterro de um destes só para ver se tem algum que eu queira matar só por esporte. Pois é diversão também. Outro dia comecei a perceber que “tenho” jazigos próximos, um do lado do outro. Queria fazer uma fila. Infelizmente quando se mata da mesma família, o jazigo ou é o mesmo ou ficam longe.

É incrível também como meu nome nunca apareceu na mídia, também pudera, quem iria ia desconfiar de um homem como eu. Certinho, caridoso e de boa família. Quase um exemplo. Sem falar que algumas mortes sequer têm alguma ligação comigo. Escolho, sigo de longe e se não for naquele dia, da semana não passa. É na maioria das vezes ao acaso. Rio no dia seguinte, com os policiais atordoados sem saber por onde procurar, buscando quem tem motivos. Não preciso de motivos! Por isso é tão complicado chegar até mim. Além disso, jamais executo perto de onde moro. Prefiro os subúrbios. Lugares onde possa me misturar sem ninguém perceber que não sou dali. Sou assassino, o melhor. O melhor do mundo. Crimes sem solução. Meu instinto é matar, destruir o que há de ruim, aquilo contrário as minhas vontades, o que está contra mim. O ódio toma conta do meu corpo e da minha alma, os pelos se eriçam, o sangue ferve e a vontade cresce. Aquele será minha próxima vítima. Gosto de olhar bem nos olhos, daquele que será cadáver, antes de matá-lo, quanto mais valente melhor, faço o mijar em suas calças, se tremer todo, encosto-lhe o ferro em sua fronte, no peito e até no ânus. O prazer de fazê-lo sentir medo, desespero, jamais algum conseguiu fugir após uma destas torturas psicológicas. O humilho e trago-o para um mundo desconhecido, alguns acham que são machos, mas não são totalmente até me encontrar e morrer.