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quarta-feira, 6 de junho de 2007

Dilacerações


Schüttbild, 27 - Hermann Nitsch
Ó carnes que eu amei sangrentamente,
Ó volúpias letais e dolorosas,
Essências de heliotropos e de rosas
De essência morna, tropical, dolente...

Carnes virgens e tépidas do Oriente
Do Sonho e das Estrelas fabulosas,
Carnes acerbas e maravilhosas,
Tentadoras do sol intensamente...

Passai, dilaceradas pelos zeros,
Através dos profundos pesadelos
Que me apunhalam de mortais horrores...

Passai, passai, desfeitas em tormentos,
Em lágrimas, em prantos, em lamentos,
Em ais, em luto, em convulsões, em cores...

Cruz e Sousa

“Ode” à mulher


Work No. 657 Smiling Woman - Martin Creed
Ela é uma filha para que possamos dar-lhe carinho, ternura, proteção e conselhos.
Personifica uma amante ao desfrutar dos prazeres, das carícias, abraços e beijos ardentes.
É como a mãe ao te aconchegar nos momentos mais duros e o lugar onde chorar nas tristezas.
Simboliza a amiga para compartilhar segredos, sonhos e planos.
A mulher é essa alma e corpo onde quero me abrigar e construir um ambiente de felicidade, amor, paz e harmonia.
Amo a mulher e suas múltiplas facetas.

Poderia o título ser: "homenagem à mulher", "tributo à mulher", "menagem à mulher", "laurel à mulher", mas seria muito pouco pela importância que ela tem.

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Resenha do Livro "Marx: Vida & Obra" de Leandro Konder


Karl Marx Blvd, Berlin - Manfred Menz
Primeiramente, apesar do título Resenha o escrito abaixo não segue exatamente o modelo de uma análise crítica ou similar.

Estão presentes na obra, mesmo que só por menção (em ordem cronológica): Homero, Shakespeare, Wyttenbach (professor), Eduardo Gans (professor), Bruno Bauer, Hegel, Spinoza, Kant, Leibniz, Aristóteles, Epicuro, Friedrich Köppen, Arnold Ruge, Pierre Joseph Proudhon, Rousseau, Montesquieu, Maquiavel, Feuerbach, Adam Smith, David Ricardo, James Mill, Friedrich Engels, Mikhail Bakunin, Egbert Bauer, Henri Chambre, Augusto Blanqui, Wilhem Wolff, Fernando Lassalle, Cervantes, Calderón, Ésquilo, Wilhelm Liebknetch, Dante, Balzac, Paul Lafargue, Otto Meissner, Giddy, Lecomte, Max Stirner, Augusto Bebel, Wilhelm Bracke, Laplace, Leibniz, Descartes, Plekhanov, Mehring, Vladimir Ilitch Ulianov, Georg Lukács, Antonio Gramsci, Heidegger, Jean-Paul Sartre, Jean Lacroix entre outros.

O livro é dotado de pequenas subdivisões que vão desde assuntos pessoais a questões sobre comunismo e capitalismo, passando por personalidades. Tudo debatido por Marx.

Marx viveu uma vida pobre, sempre à beira da miserabilidade, muito por conta de seus ideais. Várias tragédias se abateram sobre ele, por conta de sua conduta e por fatalidades, perdeu alguns filhos ainda muito novos. Um em especial, Edgar, apelidado Mush com nove de idade em 1955, um dos maiores abalos em sua vida.

Do alto de sua ignorância e limitada inteligência sua mãe Henriette Marx, dizia que ao invés de se preocupar em escrever sobre o capital, ele devia ter se dedicado a ganhá-lo. Lendo o livreto se compreende bem esta visão da Sra. Marx.

Ao ler a narrativa contida no livro, finalmente, pode-se até dizer que se sabe ao menos o que é o marxismo e como foi constituída a ideologia do revolucionário alemão. Ou seja, quando houver uma discussão sobre os pensamentos de Marx, o escrito decerto te dará uma visão mais ampla ao invés de ficar naquela mera noção. É essa sensação que se tem ao ler o volume.

Num método dinâmico e leve, diria muito leve em face da complexidade dos assuntos abordados, Konder traz muita informação condensada sobre o filósofo em pouco mais de 150 páginas. Os textos ora romanceados, ora explicativos conseguem prender o leitor diante de um tema considerado enfadonho. Apesar de ser um livro curto, existem muitas informações importantes para o reconhecimento do pensar do grande gênio Marx.

Que um dia eu me destine a ler O capital, obra máxima do cientista social e que então possa, depois dessa leitura, ter bases para entender muito mais sobre o que se passava na cabeça do grande pensador que até hoje, passados mais de um século de sua morte (14 de março de 1883) continua a ser amplamente discutido.

Ao final, o livro destaca as principais obras de Marx e relações para pesquisa.

Algumas referências: Introdução à crítica da filosofia do direito de Hegel; Manifesto comunista; As lutas de classe na França de 1848 a 1850; O 18 brumário de Luís Bonaparte; Introdução geral à crítica da economia política; Fundamentos da economia política; Contribuição à crítica da economia política; O capital; Teorias sobre a mais-valia; Trabalho assalariado; Salário, preço e lucro; Crítica ao programa de Gotha.

Veja também: Frases de Marx

O prato


Face – Sold - Pablo Picasso - 1960
- O que há contigo?
- Querida, não gostei desse prato.
- Meu amor, comprei-o porque me identifiquei muito com ele.
- Ele não tem nada a ver com você.
- Tem sim, me remete ao passado.
- Parece frágil.
- Não é, pode ir até ao forno, tem essa aparência, mas não o é.
- Então, que você o use, não me inspira confiança, parece que vai soltar um pedaço.
- Está com ciúmes de um prato?
- Claro que não.
- Tá bom, vou jogá-lo fora, o que mais me importa nessa vida é você.
- Eu te amo.

domingo, 3 de junho de 2007

Quando Eu


Sunset by the Lake - Charles Baker - 1849
Quando eu não te tinha
Amava a Natureza como um monge calmo a Cristo.
Agora amo a Natureza
Como um monge calmo à Virgem Maria,
Religiosamente, a meu modo, como dantes,
Mas de outra maneira mais comovida e próxima ...
Vejo melhor os rios quando vou contigo
Pelos campos até à beira dos rios;
Sentado a teu lado reparando nas nuvens
Reparo nelas melhor -
Tu não me tiraste a Natureza ...
Tu mudaste a Natureza ...
Trouxeste-me a Natureza para o pé de mim,
Por tu existires vejo-a melhor, mas a mesma,
Por tu me amares, amo-a do mesmo modo, mas mais,
Por tu me escolheres para te ter e te amar,
Os meus olhos fitaram-na mais demoradamente
Sobre todas as cousas.
Não me arrependo do que fui outrora
Porque ainda o sou.

Fernando Pessoa (heterônimo: Alberto Caeiro)