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segunda-feira, 30 de abril de 2007

No meio do paraíso I – Impossível se acostumar

Pool in a Harem, Circa 1876 - Jean-Leon Gerome
Vivo num prostíbulo, na verdade um local que abriga meretrizes seria o mais certo. Estão lá mais quinze mulheres. É uma casa enorme. São seis quartos. A toda hora tem gente em casa. Elas passeiam nuas ou só de calcinha, já nem se importam mais com a minha presença. Na verdade, nem todas fazem isso, têm duas que jamais admitiram passar na minha frente sem roupa. Acham que podem perder o meu respeito ou sei lá o quê.

Quase todas são lindas, algumas nem tanto, mas seus corpos chamam a atenção de qualquer um. Já tive caso com três delas e sinceramente não posso dizer que me arrependi, foram experiências memoráveis. Nunca passaram de amigas ou “amantes”.

A todos os homens que conto sinto uma ponta de inveja e trato logo de dizer que não é tão bom assim – claro que ruim também não é. Vejamos ver mulheres nuas ou seminuas não é ruim, ainda mais diante do padrão que tem lá em casa. Mas, por outro lado, nunca posso dizer onde moro para mulheres, principalmente as que me interessam ou com quem saio eventualmente. Namorar então é bastante complicado. Qual a mulher sensata que não vai implicar com a situação?

Minha situação com as meninas é amistosa, sou o mais antigo morador dessa república. Não são permitidas festas, namoros ou orgias, embora todos saibamos que todas trabalham na noite - com sexo. Tudo começou lá atrás em 1998, quando fazia faculdade e aluguei eu e mais seis colegas – todos homens – a mansão – como costumávamos chamar. Além de mim, mais cinco estudávamos todos na mesma universidade. O outro era um amigo que fazia engenharia em outra instituição. Aliás, somente eu que insisti na área de humanas – péssima idéia – todos eram da área de exatas. Bem, o tempo foi passando fomos aos poucos se formando e arrumando trabalho, digo, eu não, fazia um estágio chinfrim – hoje vivo de frilas - mas era tudo que tinha conseguido e com muito esforço. Vendo o cerco apertar, fui comentando que quem fosse sair que arrumasse alguém para sucedê-lo para que os demais não ficassem na pindaíba. Esse era o trato! A totalidade original saiu, exceto eu, o ferrado e mal-pago. Sei que em um dado momento os grupos foram se modificando até que de uma só vez uma galera saiu e por um contato numa termas, fizeram um ajuste que acolheu essas meninas em casa.

De início achei uma maravilha, todas desinibidas, carinhosas, carentes e que falavam comigo já me provocando, algumas com selinhos, outras com abraços e esfregadas mais travessas. Aos poucos aquilo foi me deixando louco. Nem saía mais de casa. Sair para quê se o paraíso estava lá? Era ficar no corredor ou na ante-sala e apreciar as vistas e desfrutar dos carinhos. Nessas horas me sentia um sheik árabe com suas concubinas.

Não demorou muito para que algumas me tirassem um pouco mais do sério e acabassem num motel. Mas foram poucas, as duas primeiras foram sensacionais. Muito amor, pouco compromisso e muito suor. A terceira foi ótima, exceto por um pequeno grande detalhe. Ao acordarmos no dia seguinte da noite de prazer, ela disse: “são duzentos reais”. Pensei que fosse brincadeira, afinal nem passou pela minha cabeça ter contratado tal serviço. Ela insistiu. Falei então que não pagaria e que a diversão tinha sido boa e igual para os dois. Fechou a cara, levei-a de volta e nunca mais nos falamos direito. Depois disso evitei e continuo evitando ao máximo encontros com qualquer uma delas.

Entre as meninas também existem as engraçadinhas, as que provocam, vão até o meu quarto, nuas ou quase e perguntam: “O que você acha? Estou bem?”. Desgraçadas, só para me provocar! Saem depois rindo, pois sabem muito bem minha resposta e qual é o meu olhar. Acho que nunca vou me acostumar a ver mulheres bonitas, nuas e não ficar balançado.

3 comentários:

Frizero disse...

A idéia é genial e provocativa - um homem que, por contingências da vida, vê-se morando em um prostíbulo... Creio que é mais ou menos a sensação de uma criança que, já adolescente, vai trabalhar como atendente de lanchonete na DisneyWorld, não? Há uma fase inicial de deslumbramento, uma inveja dos demais, mas depois, de tanto ver o Mickey Mouse, o gosto vai se depurando...
Parabéns, gostei muito!

Carlos Zev Solano disse...

Obrigado Frizero!
Sua opinião é de suma importância, visto que toda vez que visito seu blog me delicio com os mais variados escritos.

Abraços.

Anônimo disse...

intiresno muito, obrigado