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sábado, 7 de novembro de 2009

Rio





Cingi-se o largo rio sob um céu de lua
Sob a planta a galera que...
Navego
Navego
Nos lados, folhas escuras assombram
A claridão está no reflexo que me acompanha
Angústia pelo que fica para trás
E o que está por vir?
Triste é a vida
Num lampejo e tudo se vai
Mas, continuo a navegar
Em meu mundinho
Só percebendo às margens
Rio
Rio
E choro

Quadro: obra de Charles Baker (Sunset by the Lake)

Descoisas





Desconstruir
Preparar a argamassa
Cimentar a idéia
Juntar-se
Definir-se na sua casa
Da porta às janelas
Dos olhos ao coração
A boca em conjugação
Conjugados de quarto e sala
Não ficou bom
Pegar a marreta-borracha e pôr tudo abaixo

Quadro: obra de Otis Kaye (Learn)

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Políticos x Ratos




Muito se compara político com rato. Parece uma injustiça. Aos ratos! Os roedores vivem pelas ruas catando comida hora aqui hora ali. Estão sempre em lugares onde não há luxo só lixo. São perseguidos por toda sorte e por bichos, inclusive os homens sejam bons ou maus. Permanecem por anos em masmorras e prisões, sem ao menos merecerem. Os políticos são outros bichos.

Políticos são vermes, desprezíveis. Apoderam-se do dinheiro alheio como larvas que se infiltram nos corpos. De malemolência como suas constituições, helmintos. Com suas conversas moles enganam o povo e tomam conta do poder, da carne.

Políticos são parasitas, pouco trabalham e muito se aproveitam de seu hospedeiro, digo hospedeira, a viúva, causando danos às vezes irreparáveis. Vivem às nossas custas, são preguiçosos, faltam até com o dever mínimo de comparecer às sessões ordinárias. Ordinários. Obtém seu alimento ao fim do mês e ainda tentam sugar mais e mais nos seus interstícios.

São eles bactérias, vindos desde que o mundo é mundo, criaturas vagantes e pré-históricas. Por qualquer lugar ou tempo que se fale de algo terrível sempre se lembrará de uma, ops, dum. Profissão mais antiga que não se compare. Engravatados de vida livre e viagens (com as benditas passagens). Ser unicelular que vive com um único objetivo se dar bem, tirar vantagens.

Talvez sejam como vírus, contaminam. Mesmo os colarinhos brancos que um dia foram bem intencionados, não tardam a se bandear para a vigarice. Pequenos, em caráter, infeccionam a todos com seu pus. Destroem, corrompem e até criam cópias – filhos, netos – de si mesmos. Contagiosos se multiplicam e tomam conta do sistema.

Vermes, parasitas, bactérias, vírus, políticos. Porque todos aqueles ainda são melhores.

Site O Repórter

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Recebi!

Recebi folhas enumeradas e preenchidas de alma. Criações do coração. Frutos do esforço e da perseverança que só os nobres têm.
Primeiro dos sonhos a realizar. De um caráter ímpar e uma mente multidisciplinar. Cabeça de cálculos, mas fundamentada na emoção. Do deslizar os dedos pela tela ainda virgem, branca e desejosa de boas histórias. Criador das fabulosas idéias e poesias.
Recebi, li e gostei.

Abraços do amigo.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Tragédia no Metrô do Rio de Janeiro

Eram seis horas, hora do rush e o metrô estava cheio, digo apinhado. As pessoas se espremiam, acotovelavam. Os mais sortudos estavam sentados ou encostados nas paredes, os demais sofriam a cada parada brusca ou movimento mais sacolejante. Alguns passavam em suas faces, o sofrimento, mas a maioria encarava de modo normal, cotidiano, quase como acordar e abrir os olhos – era parte da rotina e da luta do dia-a-dia. Suor, respirações ofegantes, o encostar-se a outro ser “desagradante”.
Fazer o quê se aquele era o melhor transporte? Carro? Quê carro? Ônibus? Inda pior. A pé, impraticável. O movimento às vezes dava sono e embalava os "cansados da batina".

De repente, acelerou. Muito correu. Assim. Assim como nunca tinha se visto. Estranho. Todos se entreolharam, atônitos, sem conseguir dizer nada. Criaram um clima de normalidade no anormal – porque as pessoas fazem isso? – Numa situação quase blasé tudo continuou até que a luz diminuiu, então as pessoas imediatamente voltaram do transe, mulheres soltaram gritinhos e homens começaram a bater nas paredes, algo de esquisito estava acontecendo. E o movimento dos vagões aumentava, a estação que seria a próxima parada, passou quase que num flash, uns dois ou três segundos quando deveria demorar uns vinte.

Num novo relance, as portas se abriram, pessoas caíram nos trilhos. Ouviam-se os gritos, morriam queimados em instantes. O terror tomou conta de todos, se debruçavam sobre as cadeiras, se apoiavam um tudo que podiam. Puxavam os mais fracos usando-os como escudos de proteção. Era cada um por sua conta e vida. Uma luta angustiante. Os olhos das pessoas mostravam pavor, de seres humanos viraram criaturas, lutando pela sobrevivência. E seguia desgovernado o trem, nova estação passava, agora, deserta. Estávamos à mercê. Sentíamos que todos tinham ido embora e que algo de muito grave estava acontecendo, as máquinas não obedeciam, os celulares estavam loucos, quando tinham sinais emitiam chiados que deixavam qualquer conversa incompreensível. Era 10 de janeiro de 2009 a real data da virada do milênio e o mundo estava acabando. Quando finalmente acordei. Ô pesadelo monstruoso. Pior, 10 de janeiro ainda não chegou.